No sábado (3), o início da primeira etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi realizado sem grandes transtornos em Belém. Apesar da tranquilidade, alguns estudantes reclamaram que receberam com demora a confirmação dos locais de prova pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Por conta do fuso horário, o Pará foi um dos 13 Estados em que o Exame começou a ser aplicado ao meio-dia. Apesar de o Ministério da Educação (MEC) ter recomendado que os inscritos já estivessem nos locais de prova no momento da abertura dos portões, às 11h da manhã, houve muita gente que não fez o teste por causa de atraso.
Jefferson Mendes, 26 anos, precisou apressar o passo para não perder a prova. Ele ia fazer o Enem no Colégio Impacto da Alcindo Cacela, mas, como muitos candidatos, se dirigiu por engano à unidade da avenida Magalhães Barata. “Já é a segunda vez que eu faço a prova. Eu acho a parte de domingo pior, por causa da redação. Para mim, é uma oportunidade de crescer profissionalmente”, afirma o estudante, que disputa uma vaga em educação física.
Raimundo Eirado, 54 anos, pastor, para não correr riscos, saiu de casa com três horas de antecedência com o filho Iago Eirado, 17 anos. “Eu sou o que tá mais nervoso. Um dia antes eu fiz o reconhecimento do local pra não errar o caminho em cima da hora. Essa prova é muito importante, é o passo inicial no futuro dele”, fala Raimundo.
Diferente da etapa de domingo, o teste de sábado teve uma hora a menos. Foram 4 horas e meia de prova. O teste foi dividido em 45 questões de múltipla escolha a respeito de temas ligados a Ciências Naturais e suas Tecnologias e 45 questões envolvendo assuntos de Ciências Humanas e suas Tecnologias.
ATRASO
Izilda Barbosa, 58 anos, completa este ano o último período do Ensino Médio. Por cinco minutos de atraso, ela encontrou as portas do Colégio Impacto da Alcindo Cacela fechadas. “Eu não tive oportunidade de estudar quando era mais jovem. Meu coração tava pedindo pra eu fazer essa prova, mas não vou morrer por causa disso. Não dá pra brigar contra o regulamento”, falou, conformada. Izilda conta que queria fazer graduação em biologia e se atrasou porque está um pouco doente e precisou se alimentar. “Não tem problema. Eu tô terminando o último ano agora, mas não quero mais saber de Enem. Ano que vem vou tentar entrar para o Seminário. É isso que eu quero pra minha vida”, revela.
Jéssica Barbosa, 18 anos, conseguiu entrar no colégio, mas não pôde fazer a prova. “Ontem (sexta-feira) eu fui fazer uma entrevista e roubaram todos os meus documentos. Carteira de identidade, carteira de trabalho, passaporte... Eu ainda tentei mostrar a carteirinha do colégio com foto, mas não aceitaram”, disse a aluna do terceiro ano, que afirma ainda não ter decidido que profissão seguir. No total, foram 5,79 milhões de inscritos no Enem em todo o Brasil. No Pará, segundo o Ministério da Educação (MEC), 261.123 pessoas se inscreveram para o exame. Cento e quarenta escolas distribuídas por toda a Região Metropolitana de Belém aplicaram provas. O Enem corresponde à primeira etapa do vestibular da UFPA e é usando como nota parcial nos processos seletivos de quase 60 universidades federais do país.
(Diário do Pará)
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