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Criança morre à espera de leito em Belém

Paulo de Jesus Batista dos Santos, 11, foi internado no Pronto Socorro Municipal da 14 de Março no último dia 27 de outubro, apresentando sintomas de pneumonia, convulsão, febre, tosse e falta de ar. A família saiu de Santa Maria do Pará, nordeste do Esta

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Paulo de Jesus Batista dos Santos, 11, foi internado no Pronto Socorro Municipal da 14 de Março no último dia 27 de outubro, apresentando sintomas de pneumonia, convulsão, febre, tosse e falta de ar. A família saiu de Santa Maria do Pará, nordeste do Estado, para tratar o filho, que tinha falta de oxigenação no cérebro. Desde então, o garoto aguardava a liberação de um leito na Santa Casa de Misericórdia, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Depois de 10 dias à espera de leito, a situação do menino piorou e ele acabou morrendo na madrugada de ontem (5/11).

A Sesma informou, por meio de uma nota, que a liberação de leitos em hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) “depende da rotatividade da liberação de leito em cada hospital, não dependendo do município a liberação desses leitos aos pacientes, já que a responsabilidade da liberação dos leitos é de inteira responsabilidade do hospital referenciado que receberá o paciente (neste caso, a Santa Casa)”. Diz ainda a nota que “o cadastro para liberação de leitos é feito por qualquer serviço de saúde, seja ele hospital ou unidade de saúde e a partir daí, a Central de Leitos do município regula o processo”.

Como responsável pela regulação dos leitos, a Secretaria não assume que deveria fazer busca ativa nos hospitais credenciados ao SUS para manter cadastro atualizado de leitos disponíveis em Belém, mesmo para os casos graves como o do menino Paulo. Em nota, a secretaria se limitou a afirmar que é responsável apenas pelo cadastro dos leitos oferecidos pelos hospitais da rede pública e particular. Mas os pais do garoto contaram que cobraram leito pra ele o tempo todo e também atendimento, já que ele estava em uma enfermaria lotada.

A assessoria da Santa Casa informou, entretanto, que o hospital não recebeu qualquer pedido de leito para o garoto. A Santa Casa também não seria referência para casos de infecção, mas somente materno-infantil e criança com problema renal crônico. O menino deveria ter sido encaminhado para outro hospital como o Barros Barreto ou o Hospital de Clínicas , segundo a Santa Casa.

A Sesma destaca ainda que o Departamento de Regulação (Dere) da Secretaria, “não é detentor dos leitos que podem receber pacientes em hospitais referência. O Dere/Sesma apenas organiza a fila de espera, de acordo com os critérios de prioridade estabelecidos pelo Sistema Único de Saúde e pelo Ministério da Saúde”.

As transferências seriam feitas de acordo com normas do Ministério da Saúde que incluem a gravidade do caso, o tempo de espera na fila e a idade do paciente. Segundo a Sesma, a Central de Leitos da capital apenas concentra a organização da fila.

Atualmente existem 2.700 leitos de regulação em Belém, incluindo os leitos em hospitais estaduais e conveniados ao SUS.

LONGA ESPERA

Outro paciente, com duas balas alojadas no corpo, teria esperado o dia inteiro, ontem, segundo a mãe dele, Edna Silva, “deitado numa maca sem lençol e só com um soro”, num corredor do PSM da 14 de Março. Ela disse que só à noite, depois que ligou para a imprensa, o filho I.S.S., de 17 anos, vítima de um assalto, às 8h, no bairro do Telégrafo, foi levado para uma sala, onde estava escrito “área vermelha” e ela não pode entrar.

Dona Edna chegou ao PSM somente às 13h, vinda de Barcarena. O pai do jovem mora no Mato Grosso do Sul e ficou de chegar hoje em Belém. Os tiros, segundo a mãe, acertaram o pescoço e as costas do rapaz e ela teme que uma bala tenha ficado alojada na coluna dele porque ele não se mexe. Ela disse que de início queriam tratar o filho dela como marginal e que chegou a ser ironizada por um médico que teria dito a ela que se ela tivesse 50 mil reais para a cirurgia poderia tirar o filho do hospital.

(Diário do Pará)

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