Foram divulgados ontem, no seminário “Violência, uma epidemia silenciosa”, os dados do Boletim Epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), referente à violência doméstica e sexual e outras violências entre os anos de 2009 e 2012. Em 2011 foram notificados 1.620 casos. Até agosto deste ano, foram efetuados 1.065 registros. As mulheres são as maiores vítimas de violência, com o total de 3.706 casos, representando 82,9%. Crianças e adolescentes, entre 10 e 19 anos, são a faixa etária mais vulnerável, com 3.954 casos notificados.
Levado em consideração o total de casos, entre 2009 e 2012, sem tipificação da violência, a maior parte dos agressores são amigos e conhecidos das vítimas. Eles são responsáveis por 1.685 das 4.521 notificações, o que representa 37,3%. Juntos, os casos em que o agressor é o cônjuge, ex-cônjuge, namorado e ex-namorado, somam 471 registros. “A notificação traça o perfil epidemiológico. Mas se fizermos um cruzamento de faixa etária e de casos, os autores das agressões mudam. Se falarmos de mulheres, vai estar ligado ao parceiro ou ex- parceiro; no caso de crianças, a amigos e conhecidos e com os idosos, os filhos”, explica Maisa Moreira Gomes, diretora do Núcleo de Preservação da Saúde da Sesma.
De acordo com a diretora, a notificação proporciona a análise do caso e o acompanhamento. Desde 2011, o Ministério da Saúde incluiu os casos de violência domésticas, sexual e/ou outras violências na lista de agravos de notificação obrigatória. “Anterior a 2011, a notificação só era feita em locais sentinela e agora, em qualquer local da saúde”, afirma. “A ficha vem para formalizar ao profissional da saúde que ele precisa conhecer o que acontece com a pessoa vítima de violência e encaminhá-la ao local mais adequado”, completa.
Os dados da ficha de notificação, que incluem informações sobre o paciente, como nome, profissão, endereço, hora e local da ocorrência, o tipo de violência, o procedimento realizado e o local de encaminhamento, não são repassados às delegacias. “É um dado exclusivo da saúde e o profissional que preencher a ficha nem precisa se identificar, basta apresentar o local de registro da notificação e não tem que servir de testemunha ou ir a delegacia, apenas encaminhar o paciente”, esclarece Gomes.
O seminário foi acompanhado por aproximadamente 120 pessoas ligadas à área da saúde. “São multiplicadores que devem repassar as informações de como preencher as fichas de notificação aos demais profissionais da saúde e expandir o conhecimento”, acredita a diretora. “A notificação de violência é fácil, até mais simples do que a notificação de algumas doenças”, diz a técnica de enfermagem Zilda Melo Pereira, 39, que participou do seminário.
Entre os registros de violência sexual, o estupro é o mais comum, com 765 casos até agosto de 2012 e 1.155 no ano passado; seguido do assédio sexual, com 208 e 147 notificações entre os oito primeiros meses de 2012 e o ano de 2011, respectivamente. A casa das vítimas é o local de maior ocorrência da violência, seguido da via pública. Em 2009 foram 650 notificações; em 2010, 1.140; em 2011 foram notificados 1.620 casos. Até agosto deste ano, foram efetuados 1.065 registros.
(Diário do Pará)
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