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Índios podem ter morrido em conflito com a PF

Índios Munduruku que estão na Casa do Índio em Itaituba, oeste do Pará, disseram que receberam a confirmação ontem à noite de que o guerreiro Adenilson Crixi Munduruku foi baleado por um policial federal e caiu no rio teles Pires e desapareceu. Outros doi

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Índios Munduruku que estão na Casa do Índio em Itaituba, oeste do Pará, disseram que receberam a confirmação ontem à noite de que o guerreiro Adenilson Crixi Munduruku foi baleado por um policial federal e caiu no rio teles Pires e desapareceu. Outros dois índios foram baleados e quatro policiais federais feridos a flechadas.

Foi este o saldo de um confronto entre índios da etnia munduruku e policiais federais que participam da Operação Eldorado de repressão à exploração ilegal de ouro em terras indígenas no oeste do Pará e norte de Mato Grosso. O confronto ocorreu na manhã de ontem na aldeia Teles Pires, perto de Alta Floresta (MT), onde os policiais entraram para destruir balsas e dragas usadas pelos garimpeiros.

Segundo informações da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Alta Floresta, os dois indígenas, ainda não identificados, foram socorridos no Hospital de Alta Floresta. Um deles, em estado grave, precisou ser transferido para o Hospital Regional, em Cuiabá, onde se encontra em uma UTI. Os quatro policiais federais, cujo estado de saúde não foi informado pelos médicos, não correm risco de morte. A assessoria da PF no Pará informou que um policial, do estado do Mato Grosso, foi atingido por uma flecha na perna.

Clóvis Nunes, que coordena a Funai de Alta Floresta, disse que o conflito foi motivado pela resistência dos índios ao fechamento do garimpo no leito do rio perto da aldeia. A PF manteve a decisão de destruir as balsas e dragas, o que teria revoltado dos índios. “Muitas dragas e balsas atuam na região e os índios recebem uma porcentagem dos lucros obtidos pelos garimpeiros”, explicou Nunes.

O medo agora é de novos confrontos. A Gerência Regional da Funai em Itaituba informou que centenas de indígenas de outras aldeias foram mobilizados para se deslocarem até a aldeia Teles Pires, para enfrentar os policiais, que até ontem continuavam na área. “Isso desencadeou uma reação na aldeia Teles Pires”, disse Waru Munduruku, filho do cacique Baxixi, daquela aldeia.

No tiroteio, a aldeia teria sido ocupada pelos policiais e ficou sem comunicação por rádio e até mesmo via telefone. “Não há contato, e nós estamos preocupados. A minha irmã me ligou via rádio hoje de manhã e disse que pode haver outras mortes”, complementou Waru Munduruku.

A assessoria da PF no Pará informou que será aberto inquérito policial para apurar o caso. Doze índios teriam sido presos durante o confronto. Na operação, trabalharam duas equipes com 15 policiais de Brasília ( DF) e do Mato Grosso.

(Diário do Pará)

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