O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, lançado ontem, em Brasília pela presidente Dilma Rousseff, quer acabar com as desigualdades verificadas entre crianças de até 8 anos de idade que chegam ao final do terceiro ano do ensino fundamental.
O governo federal descobriu que, apesar de criar mecanismos para manter as crianças na escola, como o Bolsa Família, os resultados do aprendizado apresentam enormes disparidades: enquanto na região Sul as crianças chegam nesta faixa plenamente alfabetizadas, no Norte e Nordeste do Brasil, os níveis de analfabetismo ultrapassam os 30%.
Hoje, 15,2% das crianças no país acabam o período de alfabetização sem saber ler ou escrever. O dado nacional esconde diferenças enormes entre regiões e estados. Enquanto em Santa Catarina e no Paraná apenas 5% das crianças não estão alfabetizadas aos 8 anos, no Pará e no Maranhão o índice passa dos 30%. Em São Paulo, a média é de 7,6%.
Apesar de o Ensino Fundamental ser de responsabilidade dos municípios - e, em menor grau, dos Estados -, o MEC quer acompanhar as crianças para que se cumpra a meta de alfabetizar todos os estudantes até os 8 anos. Para isso, o governo federal vai investir R$ 2,7 bilhões nos próximos dois anos, para que as crianças brasileiras sejam plenamente alfabetizadas em língua portuguesa e matemática até os 8 anos de idade.
Segundo o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, 8 milhões de crianças estão inseridas nesse primeiro ciclo de alfabetização. Ainda segundo ele, o prejuízo de uma criança que não é alfabetizada no período certo pode se estender a outras etapas do ensino. “Considero esse programa a prioridade das prioridades do MEC. É o maior desafio histórico e que esse país deveria colocar no topo de agenda de todos os gestores do Brasil”.
Ao todo, 5.270 municípios e todas as 27 unidades federativas já aderiram ao pacto, que envolve a capacitação de 360 mil professores alfabetizadores. Trinta e seis universidades públicas vão preparar cursos de 200 horas para uniformizar procedimentos educacionais em todo país. Os recursos investidos no pacto também vão garantir uma bolsa de R$ 750 mensais aos orientadores, que vão capacitar os professores alfabetizadores.
(Diário do Pará)
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