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Fazendeiro que perdeu tudo só quer produzir

O tormento do empresário Dario Bernardes, que há mais de seis anos trava longa batalha contra uma quadrilha de invasores que destruiu, saqueou e incendiou a fazenda Santa Marta, de sua propriedade, localizada no município de Moju, pode estar chegando ao f

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O tormento do empresário Dario Bernardes, que há mais de seis anos trava longa batalha contra uma quadrilha de invasores que destruiu, saqueou e incendiou a fazenda Santa Marta, de sua propriedade, localizada no município de Moju, pode estar chegando ao fim. Mas ele ainda terá de lutar muito para compensar os prejuízos sofridos, além das ameaças de morte que recebeu dos invasores. Alguns ainda estão na área da fazenda, promovendo intimidações, o que levou a Secretaria de Segurança Pública a determinar ontem, durante reunião que contou com a presença do ouvidor Agrário Nacional, Gersino Filho, a realização de uma operação policial para prender quem for encontrado no local praticando crimes.

Bernardes disse ao DIÁRIO que todos no Estado, seja na Secretaria de Produção, Secretaria de Meio Ambiente (SEMA) ou no Instituto de Terras do Pará (Iterpa) lhe perguntam por que sendo dono de uma das poucas áreas legalizadas, inclusive com autorização do Senado, com quase 23.000 hectares, ele não conseguiu até hoje uma parceria, seja da Petrobras, Biopalma, Galp, ADM e Agropalma, para plantio de dendê. Seriam 11.000 hectares de plantio. “A única resposta que tenho é que dependo de nove marginais que não fazem parte de nenhum movimento social. São eles que impedem a geração de 1.800 empregos diretos que gerariam renda e trariam prosperidade para todo o entorno”, enfatiza o empresário.

Para o ouvidor nacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que veio a Belém tratar também de outros problemas que envolvem a invasão de terras em várias regiões do Estado, o caso da fazenda Santa Marta já se prolonga por mais de seis anos e exige solução. Bernardes, na reunião, chamou a atenção para o fato de que a área sempre foi produtiva, inclusive respeitando a reserva legal de floresta, mas isso não impediu que os invasores derrubassem dezenas de milhares de árvores.

Em 1999, o empresario arrendou 16 mil hectares de florestas para a Juruá Florestal, que certificou a área em 2001. Foi o primeiro projeto no Estado a receber o carimbo do FSC, líder mundial em número de países com projetos registrados. O sistema tem padrões internacionais e seu selo figura na maioria dos produtos certificados no Brasil. Tudo ia bem até 2006, quando foi instalado um assentamento na divisa com a fazenda. A partir daí, começou o roubo de madeira. Os invasores construíram até forno de carvão dentro da área.

Ele conseguiu uma liminar de reintegração de posse ainda em 2006, mas que só foi cumprida em 2009. O Estado foi omisso durante três anos, permitindo a violência na área. Mais de 340 mil metros cúbicos de madeira do projeto certificado foram roubados. Impunes, os invasores pagos por madeireiros da região passaram a agir como se fossem os verdadeiros proprietários da fazenda. Até uma carta foi enviada por Bernardes ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, denunciando que o empresário estaria “marcado para morrer”.

Na carta, ele diz que a região, uma das mais violentas do país, virou “faculdade de pistoleiros”. E argumenta que sua fazenda é toda documentada com titulação definitiva já reconhecida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Iterpa e Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como uma das 10 áreas totalmente legalizadas no Estado.

A fazenda, que possui residências para os empregados, escola, igreja, ambulatório, oficina, estradas, plantio de seringueira, castanhais, pimenta do reino e diversas criações de animais já sofreu vários ataques de um bando armado. Na primeira invasão, ocorrida em 2006, ladrões de madeira disputavam as terras com outros grupos de invasores. Houve mortes no local. Uma área de 16 mil hectares dentro da fazenda foi derrubada e toda a madeira retirada. O crime ambiental foi consumado com projetos fraudulentos aprovados na SEMA.

Com a impunidade, já ocorreram três reintegrações de posse e dezenas de mortes. Mas a polícia e o Ibama quase não aparecem na área. Em novembro de 2010, durante emboscada de pistoleiros, três veículos do empresário foram destruídos e um motorista foi morto a tiros. Os criminosos até hoje não foram identificados. Em maio do ano passado, 40 homens encapuzados invadiram o que restava da vila e ateou fogo nas casas, destruindo veículos, tratores, equipamentos, casas e currais. Bernardes se diz pronto para recomeçar tudo do zero, desde que tenha garantias do Estado para produzir. “O que eu quero é ter paz para trabalhar”, afirma.

(Diário do Pará)

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