Se estivesse entre nós, Dom Bosco estaria em festa. O padroeiro da juventude teria a honra de acompanhar relatos francos de jovens católicos que, contrariando as estimativas que apontam progressiva redução no perfil dos jovens católicos em todo o país, não abrem mão de alimentar corpo e alma.
Na rotina atarefada de Fernanda Araújo não faltam momentos de orações. Jovem, advogada e católica, ela não se cansa de agradecer pelos 23 anos de vida e é direta. “A minha prioridade é estar com Deus. Qualquer pessoa que me cerca precisa entender isso”, avisa.
Vinda de uma família tradicionalmente católica, Fernanda conta que trouxe da infância, vivida no município de Tucuruí, o hábito religioso. Trabalhando em período integral, atualmente ela dedica no mínimo três dias da semana a compromissos religiosos e não falta às missas de domingo.
“Em casa, hoje sou a que mais participa das ações da igreja, mas foi um hábito que adquiri principalmente com o meu pai que também é bastante religioso e decidi carregar pra vida. A missa de domingo é obrigação, mas sempre que posso acompanho ”, diz a advogada que desde os 20 anos coordena o grupo de oração Maranatha ( Vem Senhor) vinculado a Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida , no bairro da Pedreira, que todas às sextas-feiras chega a reunir até 150 jovens no salão paroquial.
Dados mais recentes do censo da população brasileira, organizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam para uma redução na proporção de católicos. Segundo a pesquisa, a adesão é maior na faixa etária de pessoas com mais de 40 anos, chegando a 75,2% no grupo com 80 anos ou mais. Os jovens de 20 a 24 anos não chegam a representar 9% dos católicos (10 992 410) . Ainda assim Fernanda não se abala. Para ela não há incompatibilidade entre a idade e a religião.
“Fiel que é fiel não abandona a igreja. Ser jovem e ser de Deus não é fácil pelo contexto e pelos valores , mas é perfeitamente possível entregar o coração para as coisas de Deus. Uma vez conquistado o jovem, ninguém segura e nós [do grupo de oração] somos exemplo disso. Quero poder ensinar isso aos meus filhos “, avalia
ENCONTROS
Os amigos Francisco dos Santos Carvalho Junior , 21, Fernando Luis Viana, 23, Daíse Campos, 17, e Letícia Valentim, 18, também se preocupam com a saúde espiritual. Juntos eles fazem parte do grupo de jovens Família Resgata-me ligada a Fraternidade Missionária O Caminho. É deles a responsabilidade pela realização bimestral do retiro do Instituto focado no público jovem.
“A gente se inspira no carisma de São Francisco e busca resgatar os excluídos, principalmente jovens no mundo das drogas e prostituição através do Resgata-me [o próximo marcado para acontecer dias 24 e 25 deste mês]”, explica Letícia no grupo há quatro anos.
Mãe de uma menina, Daíse, que hoje já se preparar para integrar o movimento dos leigos da Fraternidade, diz que foi no grupo que conseguiu alcançar maior intimidade com Deus. “Aos sábados e domingos a gente participa de encontros de formação. Nessas reuniões a gente discute família, sexualidade, vocação, amizade, enfim valores ligados a juventude e sexualidade. É diferente porque há uma linguagem específica voltada para o nosso grupo e dessa forma podemos mostrar que o jovem pode sim se engajar com as coisas de Deus”, justifica.
No grupo montado pela Fraternidade, as terças feiras são reservadas à chamada Pastoral de Rua, uma ação voltada para caridade aos moradores de rua que inclui distribuição de alimento. Às últimas quintas-feiras do ano, quem pode vive a experiência de passar uma noite fora de casa, acompanhando essas pessoas e fazendo o convite para os encontros do Resgata-me.
Foi em um desses retiros que Fernando ficou conhecido. Dependente químico e na rua, ele conta que resistiu até acreditar que a fé seria possível. “Eu nunca imaginava que era possível ser feliz sem festas com muita bebidas e essas coisas do mundo. Demorei até sentir que isso é verdadeiro e o que me diferencia no grupo é esse testemunho da vida que carrego do mundo. Aqui a gente se diverte muito só que de uma maneira boa e não errada”, revela o rapaz que hoje acompanha outros jovens atendidos pela espaço de reabilitação que a Fraternidade oferece em Benevides.
Os encontros são levados tão a sério pelo grupo que rapidamente os valores pessoais sofreram alterações. Todos garantem se esforçar para seguir os dogmas e mandamentos da Igreja. “Para o namoro, por exemplo, a gente criou uma denominação. A gente segue o chamado ‘namoro santo’ que é aquele dentro das regras da Igreja. Mais que obedecer uma norma, a gente compreende que é uma forma de se resguardar para a companheira da vida inteira, o que é muito melhor”, garante Júnior.
Objetivo de Missão é orientar os jovens
Criada há onze anos em São Paulo, o instituto Fraternidade dos Pobres de Jesus Cristo tem como uma das principais marcas a presença de religiosos e religiosas muito jovens com atividades missionárias focados no mesmo público. “Tudo começou com um jovem. Ele pediu apoio para nosso fundador porque era dependente químico, mas acabou não havendo tempo. Ele morreu ao injetar lama na veia, por isso nosso foco maior na caridade seja ligada à libertação dos vícios”, explica irmã Rafaela do Coração Suplicante, ministra das comunidades localizadas no Pará, Amazonas e Maranhão com apenas 21 anos. “Não há limite de idade para ingressar na comunidade, mas pela nossa causa acaba havendo um chamado maior às mais jovens. Aqui a irmã mais velha tem 31 anos”, diz dando risada em tom de brincadeira. “É quase uma anciã”.
Para entrar na Fraternidade como religiosas consagradas, o caminho é o tradicional. As jovens, com no mínimo 16 anos, são apresentadas e começam como aspirantes (quando receberem uma medalha); em seguida se tornam postulantes (quando ganham a cruz); em seguida, noviça [ com véu branco] e, por fim, fazem os votos de pobreza, castidade e obediência [ quando enfim conquistam o veu preto]. “Sinto-me uma jovem diferente apenas por ter escolhido uma passagem eterna ao lado de Deus. Sou muito feliz com a escolha que fiz”, resume irmã Taiane Naiara da Silva, 18 anos.
(Diário do Pará)
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