Com a neta Sara Letícia ainda no colo, a doméstica Naraney Costa Lopes aguardava mais alguns minutos para dar fim a uma espera mais longa que já durava três anos. Em acompanhamento na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, a criança de apenas cinco anos foi uma das 22 operadas na manhã do último sábado durante o Mutirão de Cirurgia Pediátrica promovido pelo hospital e pelo serviço de cirurgia pediátrica.
Há poucos minutos de ver a neta entrar na sala de cirurgia, Naraney se sentia aliviada. “Surgiu o mutirão e encaixaram ela. A gente ficava preocupada de piorar alguma coisa”, desabafou ao informar que a neta estava aguardando para fazer uma cirurgia de hérnia. “Tomara que tenha essa iniciativa mais vezes. Se não fosse o mutirão ia demorar muito mais para se operar”.
Já paramentada com a roupa, a touca e com a meia necessária para entrar na sala de cirurgia, a pequena Maria Eduarda, de quatro anos, também aguardava para fazer a cirurgia de retirada de uma hérnia. Acompanhada da mãe Ana Lídia da Silva, a expectativa era de que as duas já pudessem estar de volta à casa no período da tarde. “Ela já estava internada aqui há duas semanas. Se não tivesse o mutirão, ela ia esperar mais um mês para poder fazer a cirurgia”, comemora. “É muito bom os médicos fazerem isso. Tem muitas crianças precisando”.
De acordo com o cirurgião pediátrico e coordenador do mutirão, Eduardo Amoras, o objetivo é exatamente diminuir a fila de espera de crianças que precisam passar por algum procedimento cirúrgico. Apesar da grande incidência de crianças que precisavam operar alguma hérnia, o médico informou que diversas patologias foram atendidas durante a manhã do mutirão. “São cirurgias variadas. Temos muitos casos de hérnia, mas também tivemos cistos no pescoço e também pacientes que precisavam ser operados com urgência”, afirmou.
Estamos tentando, com o mutirão, diminuir o tempo de espera para patologias que são benignas, mas que podem ter complicações”.
Com a participação de sete equipes– cada uma com um cirurgião, residentes, internos e enfermeiros-, as crianças eram atendidas sequencialmente. Ainda por volta de 11h, cerca de 10 crianças já haviam sido operadas. “No total são 50 pessoas trabalhando. Nenhum de nós estaria trabalhando hoje se não fosse em decorrência do mutirão”.
Já aos cuidados dos profissionais que se disponibilizaram a promover a ação, o pequeno Afonso Gabriel, de dois anos, também retirava uma hérnia. Do lado de fora, na sala de espera, a dona de casa Maria José Pantoja também aguardava. Mãe de Afonso, ela não conseguia conter a satisfação por ter seu filho operado. “É muito bom saber que ele já está sendo cuidado. Esperamos muito por essa cirurgia”.
Segundo Eduardo Amoras, algumas crianças já esperavam pelas cirurgias há mais de dois anos - em decorrência da necessidade de que estivessem aptas a passar pelo procedimento cirúrgico. “A dinâmica da criança é longa e diferente de um adulto. Às vezes as crianças estavam gripadas, com alguma anemia e precisávamos esperar elas ficarem boas para fazer a cirurgia”, afirmou. “Muitas crianças também são do interior e demoram a chegar no serviço. Mas todas estavam sob acompanhamento do hospital”.
(Diário do Pará)
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