Mesmo já tendo perdido as contas dos passeios que fez acompanhada da câmera nas vielas estreitas do centro histórico de Belém, o bairro da Cidade Velha mantém o encanto para a fotógrafa Desiree Giusti, 23 anos. Exemplo disso foi a mais recente visita, por ocasião da Oficina de Fotografia e Intervenção Urbana com Vídeo Mapping realizada nos últimos dias 8 e 9 desse mês, como parte da programação de Belém do Giro Cultural 2012.
No exercício proposto, ela e um grupo de outros integrantes da oficina deveriam registrar o cotidiano dos moradores do local. “Descobri um pequeno museu particular na casa desse senhor. Estávamos procurando por retratos de família e essa cara tinha uma parede abarrotada dessas fotos antigas. Fotos da mãe, do pai, dele quando criança, da mulher. Foi um verdadeiro achado”, conta.
“Belém tem que estar sempre sendo relembrada da importância da Cidade Velha”, afirma o fotógrafo e artista visual Alexandre Sequeira, instrutor da oficina. Com 15 anos de experiência na fotografia, Alexandre é professor de artes visuais da Universidade Federal do Pará (UFPA) e mestre em Arte em Tecnologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Infelizmente, não podemos dar por garantido o bairro. É uma área que ainda luta para ser preservada, ao mesmo tempo que sofre com a especulação imobiliária. A oficina é uma forma de conhecer melhor e se importar com esse espaço”, diz.
As fotos feitas pelo grupo de 20 alunos inscritos representam apenas a primeira fase da oficina. Depois das imagens passarem por um básico tratamento, elas foram projetadas na Igreja do Carmo, nas árvores e casarões ao largo da Praça do Carmo, palco dos shows promovidos pelo Giro, no sábado passado. A técnica, conhecida como vídeo ‘mapping’ (projeção mapeada), consiste no escaneamento de grandes superfícies com auxilio de um computador. Posteriormente, um retroprojetor se encarrega de sobrepor imagens no ponto escolhido.
As possibilidades são inúmeras, como atesta o trabalho da artista visual Roberta Carvalho, que também divide o posto de instrutora da oficina. Em seu projeto Symbiosis, idealizado em 2008, a artista projetou vídeos do próprio rosto em telas vivas com mais de 30 metros de altura, subvertendo o cotidiano da cidade com imagens surreais. “Pretendo sair daqui com algumas boas ideias”, planeja o estudante de administração Leriton Brito, 24 anos. Ele que trabalha com fotografia e filmagens de eventos, enxerga boas perspectivas de mercado para a técnica do vídeo ‘mapping’. “Imagine os noivos chegando na recepção e ver uma fotos do casal cobrindo a igreja inteira? Video ‘mapping’, projeção em 3D são artifícios ainda pouco explorados e [têm] efeitos surpreendentes”, argumenta.
O som de um ‘Batalhão’ no meio do centro histórico
Mesmo sendo a primeira experiência com música de muitos da turma de 56 inscritos da oficina de percussão do Arraial do Pavulagem, eles não fizeram feio levando uma série de três carimbós na apresentação no palco principal do Giro Cultural.
“Sempre tive vontade de um aprender um instrumento de percussão. Toquei caixa de marabaixo, foi um pouco difícil no começo, mas acho que peguei as manhas. Tou pensando em seguir praticando, quem sabe tentar entrar ano pro Batalhão das Estrelas ano que vem?”, pondera o estudante Douglas Almeida, 20 anos, passou de aluno a músico.
Batalhão da Estrela é um grupo de brincantes que toca, dança e executa técnicas circenses durante os cortejos do Arraial do Pavulagem, composto por membros da banda e voluntários. Para oficina, os alunos receberam um intensivo do treinamento de 15 dias que os aspirantes a músicos do cortejo recebem. “Eles me surpreenderam. Conseguiram tocar bem pro pouco tempo de experiência”, garante Rafael barros, 30 anos, instrutor de percussão.
Oportunidade para mostrar trabalhos
Criado a há quatro anos, o Giro Cultural é um projeto itinerante promovido pelo Grupo RBA, com realização e patrocínio da Vale. Em 2012 ele já contou com duas edições, uma em setembro no município de Moju e outra em outubro, em Tomé-Açú. Como explica o diretor geral do Grupo RBA, Camilo Centeno, o projeto tem por objetivo integrar a região através da cultura.
“O objetivo é promover a cultura. Seja através das oficinas, que fazem a população refletir, botar a mão na massa produzindo. Ou por meio dos shows de diferentes artistas e estilos, em uma espécie de intercâmbio cultural entre as diversas regiões”, define Centeno.
Durante o encerramento da edição deste ano, no show na Praça do Carmo, no último dia 10, fizeram parte da programação o músico a Orquestra Vale Musica, o violonista Salomão Habib, o cantor Arthur Espindola e Arraial do Pavulagem.
O instrumentista Salomão Habib é um veterano do projeto, participou nas edições em Marabá, Ananindeua, Tomé-Açú e Belém. No show na capital paraense, deu uma canja do tango inédito “Malbec”. Quinto movimento da série “Baccus”, cada música é inspirada em uma uva, outra grande paixão do músico. “Adoro vinho tanto quanto gosto de tocar violão”, confessa.
PROJETO
Tomé-Açú foi o segundo município a receber o projeto nos dias 25, 26 e 27 de outubro desse ano. Além das oficinas de contação de estória, com Ester Sá; de Naipes (metais e palhetas), com Eliana Carvalho; e de um laboratório de animação, com a artista plástica canadense Veronique Isabelle, a cidade conferiu shows de Salomão Habib, Elianay Carvalho, Banda ARK, Grupo Revelação.
Em Moju, foram realizadas a mostra ‘Amazônia Animada’, o ‘Laboratório de Animação’ e a Feira de Artesanato com Economia Solidária, Cerâmica do Poace e Quilombola do Caeté de Moju. O evento ocorreu em setembro e ainda teve teatro e dança, com os grupos Moju Crew, Dança de Raiz e Para-folclórico e os espetáculos teatrais da companhia mojuense Artes Cênicas “Esquetes” e da companhia de Belém Entreatos. A grande atração do giro no local foi a Gangue do Eletro.
(Diário do Pará)
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