plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 24°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Índios relatam violação durante a Ditadura

Oficialmente foi criada ontem, na aldeia Suruí-Sororó, entre os municípios de São Domingos do Araguaia e São Geraldo do Araguaia, a Comissão da Verdade dos Índios Suruí. Em reunião no centro da aldeia com a psicanalista Maria Rita Kehl, coordenadora do Gr

twitter Google News

Oficialmente foi criada ontem, na aldeia Suruí-Sororó, entre os municípios de São Domingos do Araguaia e São Geraldo do Araguaia, a Comissão da Verdade dos Índios Suruí. Em reunião no centro da aldeia com a psicanalista Maria Rita Kehl, coordenadora do Grupo de Trabalho (GT) que investiga violações de direitos de indígenas e camponeses, os Suruí decidiram contar a própria história do tempo em que a Guerrilha do Araguaia se instalou na região.

Em uma história que só agora passou a vir à tona, os índios Suruí relatam que foram obrigados pelos militares a servir de guias, mateiros e até a caçar guerrilheiros nos anos 70. Muitos tiveram que carregar corpos de militantes mortos. Há relatos de violência contra as mulheres das
aldeias.

RECEIO

Durante muito tempo, os índios Suruí tiveram receio de relatar fatos da época da Guerrilha do Araguaia. Com a intensificação dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV), a história da participação indígena começou a ser contada. Atualmente, 12 índios Suruí estão com processo para receber indenização pela violência sofrida no período. Outros onze índios, que também passaram pela mesma situação, já morreram.

A criação da Comissão da Verdade dos Índios Suruí coincide também com o anúncio da formalização do Grupo de Trabalho que investigará as violações de direitos aos camponeses e aos índios durante a ditadura
militar.

O GT tem como missão esclarecer fatos, circunstâncias e autorias de casos de graves violações de direitos humanos, como torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres relacionados a indígenas e camponeses no período determinado pela lei que criou a CNV (1946-1988).

O grupo deve ainda identificar e tornar públicos estruturas, locais, instituições e circunstâncias de violações de direitos humanos cometidas contra esses grupos. “É um dia histórico porque até hoje os índios não puderam contar a própria história”, diz o integrante do GT Paulo Fonteles Filho, presente na reunião na aldeia Suruí.

A intenção é que pelo menos dois índios sejam responsáveis pela coleta de dados. A Comissão da Verdade estuda a possibilidade de contemplar os pesquisadores índios com uma espécie de bolsa de pesquisa com duração de um ano. O resultado deve ser publicado em um livro junto com o relatório final da Comissão Nacional da Verdade.

programação

SÁBADO
Neste sábado, a CNV realiza, a partir das 15h, uma audiência pública na Câmara Municipal de Marabá, para ouvir relatos de camponeses que sofreram repressão e perseguição do regime. Essa é a 1ª vez que a comissão faz uma audiência pública em cidade que não é capital de estado.

DOMINGO
No domingo será a vez de ex-soldados que atuaram contra a Guerrilha do Araguaia prestar depoimentos sobre o período. A ideia é que os depoimentos ajudem a esclarecer como funcionava a organização militar e que tipo de ordens eram repassadas aos soldados.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!