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27 milhões de pessoas sem atendimento odontológico

“A gente nem tem medo de dentista. Tem medo é da fila”. Ao contrário de muita gente, a doméstica Maria do Carmo Lima não hesitaria em ir a uma consulta. O que falta é a oportunidade. Aos 52 anos de idade, ela afirma que nunca pisou em um consultório odont

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“A gente nem tem medo de dentista. Tem medo é da fila”. Ao contrário de muita gente, a doméstica Maria do Carmo Lima não hesitaria em ir a uma consulta. O que falta é a oportunidade. Aos 52 anos de idade, ela afirma que nunca pisou em um consultório odontológico.
Assim como Maria, nenhuma das 14 pessoas da família dela consegue ter acesso a serviços odontológicos. “Já tentei várias vezes, mas, para conseguir uma ficha de atendimento, tem que ir pra fila às 3h. Nas vezes que fui, não consegui”, conta.

A possibilidade de procurar atendimento particular também acaba sendo descartada. “Nunca tentei ir porque é muito caro, não tem condições”, comenta. Mesmo sabendo da importância dos cuidados com os dentes, ela assume que só tentou procurar o dentista quando já estava com problemas. “Quando fui, já estava sentindo dor, mas não consegui ser atendida. Tive que tomar remédio e uma pessoa me ensinou a colocar gasolina no dente. Eu já até ensinei isso para outras pessoas”, relata.

DIFICULDADES

As dificuldades encontradas por Maria e sua família são comuns a milhões de pessoas. Dados recentes divulgados pela Associação Brasileira de Odontologia (ABO) mostram que 27 milhões de brasileiros nunca foram ao dentista. Mesmo tendo 22.139 equipes odontológicas em atuação, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil ainda apresenta um alto índice de pessoas sem acesso à assistência odontológica.

Para a dentista Lucivilma Prazeres, a consciência das pessoas em relação à importância dos cuidados com a saúde bucal já é expressiva. “A gente vê que as pessoas têm dificuldade em conseguir atendimento, mas que já estão bastante esclarecidas, porém, diante das dificuldades, acabam desistindo”.

Mesmo quem tem oportunidade de marcar consultas periódicas costuma descuidar do tratamento. “A cárie é o principal problema encontrado. Mesmo com informação, ainda há muitos casos. Muitas vezes a pessoa já vem procurar atendimento muito tarde”.

A dentista também alerta que os cuidados com a saúde bucal devem começar cedo. “O ideal é ir ao dentista quando começam a nascer os primeiros dentes, por volta dos onze meses de idade, para já ter orientação”.

(Diário do Pará)

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