O período chuvoso ainda não começou, mas é preciso ficar atento às doenças que se disseminam com os alagamentos, tão constantes em Belém. Micoses, hepatites, dengue e leptospirose são algumas das patologias ocasionadas pelo contato com a água ou solo contaminado.
Atitudes simples como andar calçado, usar raticida e evitar acúmulo de lixo e água parada podem diminuir as chances de contágio.
“A gente compra remédio; tenta não deixar a porta da cozinha aberta; mantém a lixeira fechada”, relata a dona de casa Cleide Araújo, 45 anos. Esses são os cuidados que ela toma para evitar uma temida doença: a leptospirose, cujo principal vetor transmissor transita às dezenas pelas redondezas no canal da Travessa 14 de Março com Caripunas, onde ela mora. “É rato, rato, rato. Tem tanto que dá até medo”, conta.
Cleide agradece por nunca ter pegado a doença. Da forma que pode, ela tenta se cuidar. “Dentro de casa, quando chove e o canal transborda e enche tudo, a gente usa bota”, diz ao apontar para cima do joelho, a altura que a água atinge. “A gente faz tudo pra evitar o contato com a urina do rato”.
Agentes da Prefeitura Municipal de Belém (PMB) faziam a limpeza do canal, ontem. No local, os ratos são considerados “a sensação da área”, conforme afirma a aposentada Mary do Carmo Silva, 72 anos. A solução usada por ela para não pegar leptospirose é simples e restringe alguns hábitos. “Não saio de casa, já que enche a rua toda, eu fico aqui”. Ela providenciou, ainda, o aumento do nível da casa, para conter o avanço da água suja, proveniente da chuva e do transbordamento do canal.
Somente este ano, de 1º de janeiro até setembro, 865 casos de leptospirose foram notificados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), destes, 71 foram confirmados, sendo 62 por meio de confirmação laboratorial. Cinco pessoas morreram vítimas da doença. Em 2011, foram 638 notificações, 132 confirmações, com 123 testes laboratoriais e 16 mortes.
Em Belém, as áreas mais propensas a desenvolver casos de leptospirose, de acordo com o técnico do Grupo de Trabalho de Zoonoses da Sespa, Roberto Brito, são os bairros da Terra Firme, Jurunas, Guamá e Marambaia. “São locais mais vulneráveis por questões de saneamento e forma desordenada de ocupação”, afirma.
Grandes áreas alagadas não são tão perigosas quanto o resíduo que fica quando a água se dispersa. “O maior risco não é quando há grande volume de água, mas quando ela sedimenta e forma a lama. Esse resíduo contaminado, em contato com a pele lesionada, resulta na doença”, esclarece Brito.
LEPTOSPIROSE
Leptospirose é uma infecção aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria do gênero Leptospira, que é transmitida por animais de diferentes espécies (roedores, suínos, caninos, bovinos) para os seres humanos. Esse microorganismo pode sobreviver nos rins dos animais infectados sem provocar nenhum sintoma e no meio ambiente por até seis meses, depois de ter sido excretado pela urina.
(Diário do Pará)
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