Idealizador e principal incentivador do DIÁRIO DO PARÁ, o jornalista Laércio Barbalho completaria hoje 94 anos de idade. Caso estivesse vivo estaria comemorando os 30 anos da sua obra maior ao lado do neto Jader Barbalho Filho. Criado em agosto de 1982 como um jornal de campanha para lutar contra o regime militar e auxiliar a candidatura de seu filho Jader Barbalho ao governo do Estado, o jornal está hoje consolidado como um dos maiores jornais do Brasil e líder disparado de mercado, com mais de 60% de leitores habituais segundo a última pesquisa do Ibope.
Com certeza o “velho Laércio” lembraria com muita saudade e emoção daquela semente plantada nos idos do dia 22 de agosto de 1982, quando a primeira edição do jornal circulou pelas ruas de Belém. Era enfim o sonho realizado de levar para a população um jornal combativo e desafiador às dificuldades impostas pelo regime militar da época, ao qual Laércio era feroz opositor. Quis o destino que em maio de 2004 Laércio fosse para o andar de cima. Por trás de muitos sonhos, permaneceu o exemplo de um homem que nunca desistiu de seus ideais.
A primeira edição do DIÁRIO foi rodada em máquinas que vieram de São Paulo de uma oficina sucateada e a tecnologia era quase zero. A tarefa de rodar a publicação era árdua, principalmente tendo em vista que o DIÁRIO concorreria com outros dois grandes jornais já consolidados na ocasião, entre eles a “Província do Pará”.
O primeiro exemplar do DIÁRIO DO PARÁ, que circulou nas ruas de Belém numa segunda-feira de 1982 trouxe a manchete “Eleição limpa”. Revelava ali uma linha editorial sob o signo da luta em duas frentes: a política, comprometido com a redemocratização do país; e a jornalística, sendo inovador na forma e no conteúdo.
A irreverência, inteligência e generosidade foram as marcas de Laércio Barbalho na passagem pela política e pelo jornalismo, durante mais metade de sua vida. Na política, plantou as bases de dois partidos políticos - o PSD, que apoiava Magalhães Barata e lhe rendeu três mandatos na Assembleia Legislativa; e o PMDB, frente de oposição à ditadura militar.
Foi cassado em 1969, logo após ser reeleito deputado estadual, dessa vez pelo PMDB. A cassação não o desmotivou. Continuou atuando nos bastidores da luta pela democracia, que resultou na eleição do filho, Jader Barbalho.
O afastamento da política o levou ao jornalismo, assegurando o espaço de mais uma fonte de informação no Pará. Na verdade, começou no jornalismo em 1950, em um periódico ligado ao PSD. Entre os colegas de redação, Hélio Gueiros, Newton Miranda, Álvaro Paes do Nascimento e outros nomes de expressão. Laércio escrevia sempre suas matérias e as notas da coluna Repórter Diário à mão.
“Meu avô era um político na essência e um empreendedor de espírito. Ele não desistiu nunca e colocou o jornal nas ruas, impresso ainda no chumbão. Seu Laércio contratou os melhores profissionais da época e viabilizou o jornal”, relembra Jader Barbalho Filho, diretor-presidente do DIÁRIO, herdeiro do legado do avô.
Jader Filho faz questão de lembrar da perspicácia e do pioneirismo do avô. “Ele apostou na criação de um jornal num momento delicado da conjuntura política local. Enfrentou a tudo e a todos. Hoje damos continuidade ao formidável trabalho dele, que está lá no céu, assistindo de camarote a nossa vitória. Dado o crescimento do jornal em todos os aspectos, nossa responsabilidade é muito maior”. Hoje damos continuidade ao formidável trabalho dele, que está lá no céu, assistindo de camarote a nossa vitória”, destaca Jader.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar