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Moradores precisam de ajuda para recomeçar

Roupas carbonizadas, brinquedos chamuscados, objetos destruídos entre escombros e muitas cinzas. A tubulação de água encharca o cenário que o fogo dominou. No lugar onde havia vida, um imenso espaço enegrecido. Curiosos param, comentam e seguem adiante. P

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Roupas carbonizadas, brinquedos chamuscados, objetos destruídos entre escombros e muitas cinzas. A tubulação de água encharca o cenário que o fogo dominou. No lugar onde havia vida, um imenso espaço enegrecido. Curiosos param, comentam e seguem adiante. Para Neuton Gomes, 56 anos, autônomo, a tarde da última quinta-feira demorará a virar uma simples lembrança. Por enquanto, as chamas continuam a queimar. “Eu tava pintando um quarto”, relembra Neuton, sem conseguir conter as lágrimas. Ele foi um dos moradores que perdeu a maior parte dos bens no incêndio de grandes proporções que atingiu imóveis na avenida João Paulo II, no bairro do Curió-Utinga. Ontem pela manhã, muitos moradores voltaram ao local do incêndio para ver o que sobrou.

Nas casas próximas, pouco atingidas, vizinhos trocavam telhas, avaliavam estragos, conversavam e tentavam dar suporte aos moradores que não tiveram a mesma sorte. Vizinhos dizem que tudo teria começado com uma sopa instantânea que teria ficado tempo demais no fogo. Segundo o Corpo de Bombeiros, 13 kit-nets e duas casas foram destruídas, todos de madeira. “Um trabalho de 30 anos acabar em menos de meia hora, é muito difícil... Eu tenho fé em Deus que a gente vai conseguir reconstruir tudo”, declara Neuton, que era dono de nove kit-nets e dois imóveis.É difícil imaginar o que sentiu a ajudante de cozinha Maria do Socorro Lopes, 38 anos, ao chegar na rua de casa e descobrir que, impotente, não poderia fazê-la permanecer ali.

RELATOS

“Eu tava no banco pagando uma conta pra minha patroa quando recebi o telefonema dizendo que meu kit-net tava pegando fogo. Quando cheguei na rua e vi aquele fogo alto, não aguentei ficar aqui, eu sabia que não tinha mais jeito”. Ontem pela manhã, Socorro, mãe de dois filhos, olhava pensativa as cinzas tentando digerir a angustia de não ter para onde voltar. Só o que sobrou foram algumas roupas e documentos pessoais. Alocados na casa de parentes e vizinhos, as famílias desabrigadas, segundo a Defesa Civil, tentam retomar a vida. No Centro Comunitário do bairro, apenas Durval Henriques, 63 anos, músico, permanece provisoriamente instalado. Ele diz que não quer incomodar ninguém e prefere ficar no centro, que está recebendo doações, para ajudar como pode. “Eu tinha tudo e perdi tudo. Mas não fico triste nem me lamento. Pior é quem tinha pouquinho e perdeu pouquinho”, fala.

Em “tudo”, Durval inclui os instrumentos e aparelhos novos da sua banda de pop/ rock. Com três CDs gravados, o produtor e compositor vê na tragédia pessoal uma chance para ir além. “Tem um atleta paraolímpico, que é campeão sobre cadeira de rodas, que diz que precisou perder as pernas para ser notado. Comigo eu acho que foi a mesma coisa. Eu sempre procurei a imprensa para divulgar meu trabalho, nunca consegui. Eu precisei perder as pernas para vocês virem falar comigo”.

Segundo Nagila Noronha, coordenadora do projeto Cheque Moradia da Companhia de Habitação do Estado (Cohab), os proprietários dos imóveis destruídos terão um auxílio de cerca de R$ 10.500, conforme padrões de casa da Cohab. “O programa beneficia exclusivamente os donos e não se refere aos inquilinos. Mas, como essa é uma situação especial, nós vamos levar o caso à diretoria e avaliar a situação para ver que providências são cabíveis”.

SERVIÇO - COMO AJUDAR

A Defesa Civil também está recolhendo ajuda para atender às vítimas do incêndio. Informações pelo 3242-5332.

PERÍCIA

Segundo o tenente coronel Carlos Reis, da assessoria de imprensa dos bombeiros, a perícia começou a avaliar as causas do incêndio ontem pela manhã. O resultado deve sair entre 15 e 30 dias.

(Diário do Pará)

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