Um laboratório público e natural, utilizado há séculos, que a ciência começa a redescobrir. Se a Amazônia apresenta a maior biodiversidade do planeta, não é de se espantar que a medicina tradicional nascida aqui possa virar referência para o tratamento de doenças que preocupam todo mundo. Um estudo recente produzido pelo Museu Emílio Goeldi mostra que ao menos quatro chás, produzidos a partir de essências da floresta, podem ser úteis para controlar um mal silencioso e incurável que atinge cerca de 10% da população mundial. Trata-se do diabetes, doença que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma das cinco que mais matam atualmente.
A pesquisa foi dirigida pela doutora em química Cristine Amarante, coordenadora do Laboratório de Análises do Museu Goeldi. “Nós fomos até o Ver-o-Peso no início do ano e percorremos várias barraquinhas. Nos misturamos com os turistas e não falamos qual era nosso objetivo para não influenciar o resultado das repostas. Só chegávamos e perguntávamos quais eram os chás recomendados para tratar do diabetes”, explica. Quatro raízes foram mais citadas. Colhidas as amostras e realizados os testes, veio a surpresa. Chás de pata de vaca, pedra ume, cipó-mirauíra e, principalmente, de uma planta chamada insulina apresentaram altas taxas de flavonoides: compostos aromáticos presentes em frutas, vegetais e bebidas, como o vinho.
“Os flavonoides têm função antioxidante e ajudam a preservar células responsáveis por sintetizar e secretar insulina”, explica Cristine Amarante. De acordo com a pesquisadora, a planta medicinal coincidentemente conhecida como “insulina” foi o grande destaque do estudo. Ela apresentou o maior teor dos compostos de todas as ervas testadas. “Nós estamos realizando novos testes, com novas amostras, em outros períodos do ano, para confirmar estes testes preliminares”, fala a coordenadora do Laboratório de Análises.
Segundo a pesquisadora, apesar de a tradição popular garantir a eficácia dos medicamentos naturais, é fundamental estar atento à utilização destes produtos. “É importante frisar que as ervas não têm apenas substâncias boas e, em grandes quantidades, as substâncias nocivas podem anular o efeito positivo. É preciso consumir esses chás com muita moderação e não abusar das doses”, orienta.
(Diário do Pará)
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