Antes de assumir qualquer dívida neste final de ano - época em que o consumo se torna mais acelerado em decorrência do Natal e do Ano Novo -, o consumidor que não quer se endividar precisa reunir a família para planejar os gastos.
Segundo o economista e presidente do Conselho Regional de Economia do Pará (Corecon/PA), Antônio Ximenes, o consumidor deve considerar todas as despesas já assumidas pela família ao longo do ano antes de assumir qualquer dívida parcelada.
“Para não haver descontentamentos e frustrações no melhor momento, os provedores da renda devem reunir a família, tomar uma folha de papel e relacionar uma a uma as parcelas já assumidas”, aconselha. “O provedor da renda deve demonstrar para todos os membros da família que estas despesas não podem ser esquecidas e, a partir daí, sim, verificar na coluna das receitas o que vai sobrar para comprometer com parcelas de novas compras”.
Segundo o economista, além das despesas fixas e já esperadas ao longo do ano, no momento do planejamento, para não se endividar além da conta, o consumidor também deve considerar as dívidas características do início do ano que está por vir.
“Os gastos previstos para o início do ano que vem são prioritários, pois fazem parte da manutenção da estrutura de custo da unidade familiar. Não podem ser esquecidos e, por isso, devem ser colocados em relevo para toda a família”, explica.
“O consumidor deve anotar todos os seus compromissos já assumidos, além daqueles imprescindíveis, inclusive com datas e valores de cada parcela, para que em dado momento não ocorra surpresa desagradável sobre dívida e falte dinheiro para pagá-la”.
COMPRAS
Foi pensando em não ter surpresas desagradáveis que a autônoma Marli Monteiro separou a quantia exata disponível para as compras extras antes se dirigir ao centro comercial de Belém. Passada a fase de análise mental dos gastos que já assumiu, ela estava decidida a só gastar o valor restante da renda.
“É muito fácil se endividar nesse período de final de ano. Esse ano, eu já decidi que não quero gastar muito, vou gastar apenas o dinheiro que eu separei para isso. O que der para comprar com ele, deu”, afirma. “A gente gasta bastante com a ceia de Natal, mas as lembrancinhas são o que mais custam porque tem que ter para todo mundo”.
Com o carrinho já recheado com uma árvore e enfeites de Natal, o embalador de supermercado Denilson Moura tirou o dia de folga para colocar as compras de final de ano em dia antes do sufoco característico de dezembro no comércio. Mesmo com muitos itens a serem comprados na lista, ele garante estar atento para não se endividar além do possível. “A gente tem que comprar só o essencial, mas também sem deixar de comprar um enfeite, as coisas do Natal”.
Mesmo admitindo que não tem o costume de planejar todos os gastos na “ponta do lápis”, ele afirma ter uma forma mais intuitiva de controlar o valor das dívidas assumidas. Apesar da preocupação, nem sempre a intuição consegue dominar tudo. “A gente elabora o que quer e tenta comprar só aquilo para não ultrapassar”, afirma.
Ciente do momento propício para o aumento de vendas, o gerente geral de uma loja de importados Marcelo Adonay adianta algumas estratégias utilizadas pelo mercado para atrair os consumidores. Para tentar estender o período de aumento de vendas, a rede de lojas em que trabalha se adiantou, também, na oferta de produtos natalinos.
“Estamos ‘batendo forte’ nos produtos natalinos desde o começo de novembro. A gente tem as promoções. A gente sempre tem um produto ou dois com um preço bem atrativo porque eles puxam o resto”, diz, ao acompanhar o andamento da loja repleta de consumidores. “As vendas já aumentaram em 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Para dezembro, vamos focar nos brinquedos já pensando nos presentes”.
Sem esconder que, de vez em quando acaba gastando mais do que o recomendável, a doméstica Isaura de Andrade pretende recorrer ao 13º para não começar o ano devendo. “Às vezes, eu ultrapasso o limite, mas estou tentando diminuir os gastos para diminuir as dívidas”, afirma. “Vou tentar liquidar as dívidas e comprar as coisas de Natal com o décimo”.
(Diário do Pará)
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