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Campanha "Conte até 10" começa amanhã em Belém

O sangue de Rita Zarife, 39, ferve quando ela descobre uma mentira. A raiva vai tomando conta de seu corpo, a pele avermelha, os punhos cerram e ela precisa de uma boa dose de auto controle. “É nessa hora que eu preciso contar até dez para não cometer uma

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O sangue de Rita Zarife, 39, ferve quando ela descobre uma mentira. A raiva vai tomando conta de seu corpo, a pele avermelha, os punhos cerram e ela precisa de uma boa dose de auto controle. “É nessa hora que eu preciso contar até dez para não cometer uma besteira. Nada me deixa mais estressada que descobrir uma mentira. Saber que estão me enganando me tira do sério. Nunca aconteceu, jamais agredi alguém, mas a vontade que dá é de bater, bater na pessoa”, revela a costureira que é bastante calma no dia a dia.

“Eu já contei foi até mil antes de sair no braço. Dez é pouco para a raiva que a gente passa”, confessa o guardador de carro, Manoel da Costa, 47, mais da metade deles dedicados ao trecho da Cipriano Santos, por detrás do Terminal Rodoviário de Belém. Acostumado a garantir vagas e zelar por diversos automóveis, seu Manoel perde a paciência quando duvidam de sua honestidade. “Motorista que não paga a gente nem liga. Mas quem vem discutir que a gente tem culpa num roubo, por exemplo, irrita e não tem outro jeito a não ser esfriar a cabeça. Esquentar só com o sol mesmo”, descontrai.

Pensando nisso, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) criou a campanha de valorização da vida “Conte Até 10. A raiva passa. A vida fica. Paz. Essa é a atitude!” como fruto da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (ENASP). A ideia é reverter a situação trágica da violência no Brasil, com foco em crimes que acontecem em função da banalização da violência, da falta de tolerância e da ação impensada por raiva. A campanha traz lutadores de reconhecimento internacional - como os campeões mundiais do MMA Anderson Silva (peso-médio) e Júnior Cigano (peso-pesado), além dos judocas Sarah Menezes, campeã olímpica em 2012 e Leandro Guilheiro, duas vezes campeão olímpico - e promove a reflexão, motivando o cidadão a contar até 10 antes de praticar qualquer violência por impulso.

De acordo com a psicóloga Talita Teixeira, apesar de inerente à personalidade individual, a paciência pode sim ser exercitada e estratégias simples, como respirar fundo e contar, acabam funcionando. “Existem pessoas de personalidade mais paciente e pacíficas e outras mais temperamentais. Entretanto, esses são perfis que podem ser desenvolvidos ao longo da vida apenas exercitando seja através de uma terapia, seja através de outras estratégias”, explica a especialista.

Situações cotidianas envolvendo conflitos em bares, estádios e trânsito por vezes potencializam a atitude intempestiva. “Não é nem o congestionamento que estressa, são as pessoas. É motorista que cruza a tua frente do nada, não sinaliza, não entende as normas de trânsito. É preciso ter paciência de Jó!”, afirma o taxista Claudio Ferreira, 51. “As pessoas chegam até a dizer, ‘mete a mão na buzina’ ou ‘ se fosse eu tinha esculhambado logo’, mas não adianta. Se a gente for esquentar com isso fica maluco”, reflete o amigo de profissão Gilberto Andrade, taxista desde os 18 anos.

CAMPANHA

A versão regional da campanha “Conte até 10” será lançada nesta quinta-feira (29), às 10h, na escola Madre Zarife Salles, no bairro do Guamá. O evento contará com a presença do governador do estado Simão Jatene, do procurador-geral de justiça Antônio Eduardo Barleta de Almeida, e de outras autoridades.

Coordenado pelo Ministério Público Estadual (MPE), a campanha no Pará tem inicio na capital tendo como referência escolas, centros comunitários e igrejas para, em seguida, multiplicar as ações pelo interior do Estado. As ações terão caráter permanente para mobilizar a mídia e a sociedade civil pelo fim da violência e para a disseminação da cultura de paz.

De acordo com o Mapa da Violência 2012, divulgado pelo Ministério da Justiça, foram registrados 49.932 homicídios no Brasil em 2010, o que representa uma média de 26,2 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Segundo levantamento do CNMP, entre 2011 e 2012, os homicídios por impulso e por motivo fútil representaram entre 25% a 80% dos crimes cometidos. A campanha visa frear os crimes por impulso.”O mais importante é a pessoa entender as consequências que podem ser geradas por um momento de raiva. Essa consciência, ajuda a auto dominação que pode nos livrar, inclusive, de situações de risco”, alerta Talita Teixeira.

(Diário do Pará)

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