Há poucos dias da data que marca o Dia Mundial de Combate à Aids, as preocupações em torno da doença se voltam para a necessidade e a importância do diagnóstico precoce. Lançada na manhã de ontem na Unidade de Referência Especializada Materno Infantil e Adolescente (Uremia), a campanha do Governo do Estado do Pará tem como slogan, ‘Faça o teste de Aids, não fique na dúvida, fique sabendo’.
De acordo com a coordenadora estadual de DST/Aids da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Deborah Crespo, a escolha do local para o lançamento da campanha não foi à toa. Segundo ela, as mulheres são as que mais realizam o teste no Brasil. “A mulher, talvez pela condição da maternidade, tem uma abertura maior à realização do teste. Essa proteção é inerente à mulher. As mulheres, no Brasil, são as que mais fazem o teste”, afirma. “Queremos trabalhar a mensagem de que todos nós devemos fazer o teste por isso decidimos abrir a campanha em um local que é referência materno infantil”.
Prova da importância destinada ao teste de HIV pelas mulheres grávidas é a cobertura do teste no período do pré-natal. Segundo a coordenadora, o índice de realização do exame entre as mulheres grávidas é de mais da metade. “Na cultura do Pré-Natal temos uma incidência de realização do teste de 60%”, afirma. “Nosso maior desafio, agora, está em dois extremos: os jovens e a melhor idade”.
Independente da faixa etária, a Deborah destaca que o teste ainda é um tabu para muita gente, o que dificulta a identificação precoce da doença. “O preconceito é enorme. Quando tem campanha de hepatite, a procura pelos testes é muito grande. Com o HIV ainda há o preconceito e a necessidade de sigilo”.
Mesmo com medo de realizar o teste pela primeira vez aos 47 anos, a dona de casa Wanderleia de Oliveira resolveu fazer o teste disponibilizado no local da campanha. Para ela, mais importante que o medo de se descobrir portadora de HIV, está o zelo pela própria saúde. “É muito importante se prevenir porque é uma doença que não tem cura”, considera. “Mas se tiver [o vírus] é melhor saber logo por causa do tratamento”.
(Diário do Pará)
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