“A pesquisa foi feita em 2009 e não mostra a atual realidade do Estado”. Este foi o esclarecimento mais frisado pelo secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Luiz Fernandes, em coletiva de imprensa realizada ontem pela manhã na sede da Segup (Secretaria de Estado de Segurança Pública). A coletiva reuniu nomes da alta cúpula da segurança pública estadual, além de técnicos de institutos de pesquisa, e teve como objetivo prestar esclarecimentos a respeito da pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que colocou o Pará em primeiro lugar entre os Estados da região norte em que a população se sente mais insegura.
Segundo pesquisa do IBGE, baseada na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2009), 51,2% dos nortistas não se sentem seguros nas cidades onde moram. O Pará concentra o maior índice de pessoas que convivem com a sensação de insegurança. 63,1% dos paraenses não se sentem seguros nas cidades onde moram. Dos entrevistados, 51% consideram perigosos os bairros onde moram e 35% não conseguem se sentir seguros dentro das próprias casas. Os números são da Síntese de Indicadores Sociais 2012 (SIS) e colocam o Estado à frente de Acre e Amazonas, por exemplo, que registraram percentual de habitantes com medo de morar nas cidades de 54,7% e 45,6%, respectivamente.
A diretora do Idesp/PA (Instituto de Desenvolvimento Econômico Social e Ambiental do Pará), Avelina Braglia, ressaltou a importância de se refletir a respeito dos dados apresentados e tratar a pesquisa científica com mais profundidade. “O problema da segurança pública é nacional e estrutural. Para se ter uma avaliação clara dos resultados, isso só seria possível a longo prazo e demandaria uma pesquisa ampla, levando em conta os últimos cinco ou dez anos”, explica. Segundo Roberto Sena, coordenador regional do Dieese/PA (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Pará), a pesquisa de 2009 não pode ser interpretada como reflexo da situação atual. “A pesquisa do Pnad de 2011 não levou em consideração a questão da Vitimização e do acesso à Justiça para termos dados atualizados. É uma pesquisa muito cara e complexa, mas que nós esperamos desenvolver em parceria agora”, esclareceu.
“Nós estamos tomando medidas estruturantes para prevenir e combater a criminalidade a partir de um programa integrado que estamos fazendo desde 2011, sempre trabalhando políticas públicas com políticas de segurança pública”, afirmou Luiz Fernandes. Segundo o secretário, estas ações são visíveis através de iniciativas como a criação de novas Unidades Integrada Pró-Paz (UIPPs), o investimento em policiamento ostensivo e comunitário e a construção de novas unidades prisionais, para acompanhar o crescimento do número de prisões, reforçando a importância da ressocialização. “Nós não podemos garantir que se a pesquisa fosse refeita teríamos resultados melhores, mas é importante frisar que estamos trabalhando incansavelmente para garantir tranquilidade à população. Índices importantes estão melhores em relação àquele ano (2009)”, afirmou Fernandes.
Segundo dados da Secretaria Adjunta de Inteligência e Análise Criminal (Siac), em 2009, o número de homicídios no Estado chegava a 3.587 em 2009, caiu para 3.409 em 2010 e 2.914 em 2011. Em casos de latrocínio, os números eram 148 em 2009, 226 em 2010 e 140 em 2011, uma redução de 38%. De 2010 para 2011, registros de lesões corporais caíram de 24.606 para 23.716, menos 3,6%. No entanto, registros de furtos subiram em todo Estado: 77.376 em 2009, 86.019 em 2010 e 87.566 em 2011. Prisões por tráfico de droga também aumentaram: 2.393 em 2009, 2485 em 2010 e 3.762 em 2011. Segundo o secretário, o número de pessoas detidas é reflexo da repressão efetiva que o governo vem fazendo ao tráfico.
(Diário do Pará)
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