A Unidade Mista de Saúde Dr. Henrique de Christo Alves, do município de Curuçá, manteve alguns de seus funcionários trabalhando mesmo com os sintomas de suposto vírus respiratório. São mais de 10, sendo que apenas quatro foram internados. Há alguns meses sentiram febre, diarreia, apneia, boca ressecada. A situação começou após o suposto vazamento de um produto químico usado para fazer raio-x odontológico. Uma equipe da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) já está apurando se houve vazamento desse produto e se ele contaminou os funcionários.
A técnica em enfermagem da unidade, Waldirene Costa, que também está internada com os mesmo sintomas, garante que ainda não foi confirmado o que tem causado os sintomas. “As primeiras pessoas que sentiram esses sintomas foram as que tiveram contato com o produto que estava guardado na sala da secretaria do hospital. Acontece que o vidro estava rachado e vazou na sala. Quando as pessoas que trabalham lá perceberam, fizeram a limpeza sem o menor cuidado e proteção, mas isso foi em julho”, relata com a voz ofegante pela falta de ar. Ela ainda afirma que a situação foi tratada com descaso pelas autoridades locais. “A gente informou o que tava acontecendo e o hospital continuou funcionando da mesma forma, sem nenhuma ação do poder público daqui”, acrescenta.
Segundo o diretor do 3° Centro Regional de Saúde, José Moreira Sales, o governo do Estado só foi informado da ocorrência na segunda-feira (26), quando as providências foram tomadas imediatamente para garantir a segurança dos funcionários. Ontem, uma vistoria na unidade foi feita por técnicos do Departamento de Infecção Hospitalar da Regional de Saúde e da Vigilância Sanitária do Estado, disponibilizando um infectologista para auxiliar a equipe que chegou de Curuçá.
Na última quarta-feira, equipes da Vigilância Ambiental, Vigilância Epidemiológica e do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), da Sespa, foram ao hospital para conhecer o estado de saúde dos pacientes. Pelo quadro apresentado, suspeita-se de que foram contaminados por algum tipo de vírus respiratório, mas ainda aguardam o resultado dos exames.
EXAMES
Por meio de sua assessoria de comunicação, o Instituto Evandro Chagas informou que “recebeu os pacientes advindos do município de Curuçá na manhã da última quarta-feira, 28. As quatro pacientes foram atendidas e encaminhadas à coleta de material biológico para a realização de exames. Os exames irão investigar se as pacientes estão com algum tipo de infecção causada por micro-organismo (vírus, parasito ou bactéria). O IEC informa, ainda, que as pacientes apresentam sintomas de gripe”.
Conforme o documento, “a investigação da contaminação radioativa não pôde ser realizada por esta instituição, pois tal tipo de investigação não faz parte do escopo de pesquisa e atuação do IEC. Os resultados dos exames devem sair dentro de alguns dias, não podendo este instituto realizar qualquer diagnóstico precoce do quadro das pacientes”.
O IEC esclareceu, ainda, que “não deslocou nenhuma equipe para fazer vistoria no Hospital de Curuçá, uma vez que as atividades do instituto não contemplam vistorias em hospitais ou unidades de saúde”.
(Diário do Pará)
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