A pequena A. faz a alegria da família. Fofinha e com apenas 10 meses, ela passa de colo em colo sem ser poupada. “A gente tem que ficar atenta porque com o excesso de gostosura não falta quem queira apertá-la”, diverte-se a mãe, que apesar das brincadeiras preocupa-se com as ‘dobrinhas’ a mais da filha. “Hoje, eu não acho que ela esteja gorda, porém na última consulta, a médica constatou que ela está um pouco acima do peso, apesar de ter perdido 200 gramas [na última medida na balança, a criança pesou 11kg850g]. Isso faz a gente se preocupar mais e seguir direitinho as orientações para evitar problemas futuros como diabetes, hipertensão ou câncer, por exemplo”, avalia a mãe, que é professora de educação física e sabe da importância de uma alimentação saudável desde a infância.
A criança alimentou-se exclusivamente do leite materno até os seis meses de idade, quando a mãe precisou voltar ao trabalho. A partir de então, foram incorporadas à dieta sopinhas, frutas, sucos e legumes. Hoje, são seis refeições diárias em horários pré estabelecidos. “Claro que eu tenho medo do excesso de peso. Ela não é de comer muito e eu evito fazer vontades fora de hora. Com a nova fase de desenvolvimento [ela começa ensaiar os primeiros passinhos] ela tende a diminuir. Assim ta ótimo, só fofinha”, comenta a mãe.
Pais de A.F., Antônio e Larisse também são vigilantes. Aos 2 anos, a menina ‘adora’ as tentadoras guloseimas. “O que ela mais gosta é batata frita. Mas também tem o refrigerante, os salgadinhos, os biscoitos. Cabe a mim, a tarefa de controlar. São duas vezes por semana, no máximo”, revela a mãe, que tem conseguido êxito. Com 96 centímetros, A.F. pesa 15 kg. “Ela é magrinha, a gente até falou com a médica se não estava abaixo do peso, mas ela disse que estava ideal. Temos sorte porque ela [a filha] não é de dar trabalho com comida. Eu sempre fui ‘fortinho’ e hoje sei as consequências, por isso me preocupo bastante com o bem dela”, revela o pai, 1m86cm, 138 kg.
Para a coordenadora do Ambulatório de Obesidade Infantil da Universidade Estadual do Pará, pediatra Florinda Penna de Carvalho três fatores ajudam a explicar o avanço desse quadro. O franco desenvolvimento que permite o maior acesso à oferta de alimentos; a indústria alimentar com sua infinidade de opções pouco saudáveis e as mudanças de hábitos. “A criança de hoje tem o dobro do sedentarismo da criança dos anos 50. Hoje, falta espaço para brincar e são muitas horas na frente da televisão, ouvindo música no celular ou jogando vídeo game”.
Um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado na última quarta-feira (28), revelou que 33,5% das crianças entre 5 a 9 anos apresentam algum grau de sobrepeso e 14,3% delas estão obesas, sendo 16,6% dos meninos e 11,8% das meninas. Segundo a pesquisa, que avaliou números de 2008 e 2009, o percentual tem uma ligeira baixa no grupo de 10 a 19 anos de idade, onde 20,5% apresentam excesso de peso e 4,9% são considerados obesos e volta a subir entre os adultos de 20 anos ou mais de idade, onde esses percentuais chegam a marca dos 49% e 14,8%, respectivamente.
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PenSe 2009) também investigou aspectos do estado nutricional de adolescentes, utilizando como referência estudantes do 9º ano do ensino fundamental em todas as capitais brasileiras.
(Diário do Pará)
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