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"Gatos" já chegam a 150 mil por ano

Um emaranhado de fios difícil de serem identificados na confusão que carece de lógica. É difícil saber exatamente de onde vieram ou quando terminam. As fiações se acumulam e transpassam umas sobre as outras, formando teias irregulares. São cabos de

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Um emaranhado de fios difícil de serem identificados na confusão que carece de lógica. É difícil saber exatamente de onde vieram ou quando terminam. As fiações se acumulam e transpassam umas sobre as outras, formando teias irregulares. São cabos de TV por assinatura, de telefone e, principalmente, elétricos que se acumulam em vários postes de Belém. Mais comum em áreas periféricas da cidade, a sobrecarga da rede quase sempre é motivada por ligações inadequadas feitas pela própria população. O principal objetivo que leva alguns a recorrerem a estes métodos é claro: conseguir um desconto nas faturas. Além de ilegal, o problema prejudica vizinhos e pode oferecer riscos até mesmo para quem se aproveita destas alternativas.

Além da sobrecarga de energia, não é raro vermos fios não identificados partindo dos postes e entrando em residências particulares. Os chamados “gatos”, além de desorganizarem a rede elétrica, prejudicam consumidores honestos. O aposentado Waldethe Costa, 57 anos, morador do bairro do Guamá, diz que paga até R$ 600 na conta de luz. Segundo o aposentado, há vizinhos que pagam de R$ 10 a R$ 12. “Quem fica prejudicado é a gente. Essas ligações irregulares nos postes só beneficiam algumas pessoas. Eles fazem isso e nós é que pagamos a conta. Mas tu sabes como é o brasileiro, né? Só quer se dar bem”, fala. Waldethe acredita que apenas o trabalho de conscientização e fiscalização pode reverter a situação. “Isso tá muito errado e é perigoso, sim”, opina.

Por ano, a rede Celpa realiza cerca de 150.000 inspeções e retiradas clandestinas. Segundo Luís Raimundo Rodrigues, gerente de recuperação de energia da Celpa, o serviço de conectar a casa do cliente à rede elétrica só pode ser feito pelos eletricistas da Celpa, que possuem o conhecimento e o material adequados para isso. “É importante frisar que, para os técnicos da Celpa interligarem a casa do cliente à rede coletiva da rua, é preciso que a instalação elétrica da residência, que é de responsabilidade do cliente, esteja dentro dos padrões de ligação definidos pela concessionária de energia”, explica.

PREJUÍZOS

Atualmente, a perda global da Celpa por conta das consequências diretas e indiretas das ligações clandestinas se aproxima dos 35%. “A Celpa realiza um trabalho constante de combate às perdas no sistema elétrico, que engloba a conscientização contra o desperdício, a negociação de débitos e, por fim, as fiscalizações”, afirma Luís Raimundo. A irregularidade provocada pelo cliente na rede de energia de propriedade da Celpa é crime. Quem o pratica pode ser enquadrado em dois artigos do Código Penal Brasileiro: o 155, parágrafo 3º, que tem como pena prevista 1 a 4 anos de reclusão e multa; e o 265, que trata de atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública e prevê pena de reclusão de 1 a 5 anos, além de multa.

(Diário do Pará)

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