A meteorologia prevê que o período chuvoso deve se intensificar apenas no final de dezembro. Até lá, o clima deve predominar quente e seco, com temperaturas de até 33° C. Em Belém, a sensação térmica pode ser maior, pois as áreas de cobertura vegetal estão cada vez menores.
De acordo com a professora de Geografia e Cartografia da Universidade Federal do Pará (UFPA) Luziane Mesquita, a capital paraense apresenta áreas que podem ser consideradas verdadeiros desertos florísticos – ou seja, estão praticamente sem arborização. “Se não houver um planejamento imediato de arborização para a cidade, dentro de 10 anos será drástico viver em Belém por causa do calor”, alertou a pesquisadora.
A afirmação da professora foi dada com base no mapeamento das áreas verdes em Belém, feito pela Faculdade de Geografia e Cartografia da UFPA, ao longo do ano passado e que somente agora foi divulgado. Nele, evidencia-se que a redução da quantidade de árvores no espaço urbano da cidade afeta a vida da população e, consequentemente, provoca o aumento da sensação de calor.
As árvores – e também espaços com uma vasta vegetação – funcionam como reguladores térmicos naturais. “Belém é uma cidade localizada em uma zona equatorial, logo a incidência da insolação aqui é muito forte o ano inteiro, com a perda da vegetação (árvores e bosques) a umidade do ar diminui consideravelmente e as temperaturas aumentam”, atentou Luziane.
Para a construção do “Atlas de áreas verdes de Belém”, como o estudo foi chamado, foi utilizado imagens feitas por satélite dos bairros e distritos de capital, bem como o histórico de formação e urbanização dessas áreas. Ao todo, foram consideradas as áreas verdes de oito distritos urbanos da capital paraense. Cada distrito é formado por um conjunto de bairros com densidade demográfica, funções urbanas e características sócio-econômicas iguais.
Neste sentido, o Distrito Administrativo do Guamá (Dagua), que engloba os bairros da Terra firme, Condor e parte do Guamá, Jurunas, Cremação, Cidade velha, Canudos, São Brás, Marco e Curió-Utinga; foi o que apresentou o pior Índice de Cobertura Vegetal (ICV), com apenas 4,33% de seu território arborizado.
Apesar de englobar os bairros mais nobres de Belém o Distrito Administrativo de Belém (Dabel) – formado pelos bairros da Campina, Reduto, Nazaré, e parte de Canudos, Cidade Velha, Batista Campos, Jurunas, Cremação, Marco, São Brás e Umarizal – também é carente de um plano de arborização. O ICV ficou em 11%. “Não podemos deixar de perceber que os novos condomínios verticais, em Belém, estão sendo construídos em áreas de florestas. Muito em breve, nem mesmo os parques que temos em Belém darão conta de fazer a ‘regulação térmica’ na cidade das mangueiras”, finalizou a pesquisadora.
(Denilson D'Almeida/Diário do Pará)
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