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Sem-terra ocupam fazenda Itacaiúnas

Trabalhadores rurais sem-terra vinculados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) ocuparam a sede da fazenda Itacaiúnas, em Marabá. Pelo menos 200 famílias já ocupavam a frente da fazenda desde julho passado e há pelo menos nove anos

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Trabalhadores rurais sem-terra vinculados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) ocuparam a sede da fazenda Itacaiúnas, em Marabá. Pelo menos 200 famílias já ocupavam a frente da fazenda desde julho passado e há pelo menos nove anos pleiteiam a fazenda, que pertence à Agropecuária Santa Bárbara.

Durante a ocupação, desde sábado (1), os funcionários da fazenda foram “convidados” a saírem das casas ainda na madrugada. Os móveis e objetos pessoais ficaram pra trás. “O susto foi grande, mas graças a Deus não cometeram nenhuma agressão contra nós”, lembra o gerente da fazenda Ataíde Gomes de Oliveira, 71. Ele ainda alegou aos sem- terra que não tinha como sair, mas os argumentos foram em vão.

Lideranças dos camponeses admitem que a ocupação é uma medida extrema, mas que visa acelerar a criação de um assentamento na área. Em meados do ano passado, a propriedade entrou na pauta do Incra para ser desapropriada, contudo, um recurso impetrado pela Agropecuária Santa Bárbara emperra o processo e revolta os sem-terra. Orlando Alves da Luz, o Caboclo, é taxativo: “Nesta semana vamos dividir e sortear os lotes para as famílias, pois estamos cansados de esperar embaixo dos barracos de palha de babaçu”, garante.

Entretanto, outra liderança dos camponeses, Maria Dalva Nascimento Pereira, defende que primeiro seja resolvida a questão judicial da fazenda e depois os trabalhadores ocupem os lotes. Ela quer que seja criado imediatamente o assentamento a fim de evitar novos conflitos e atribui tal situação à morosidade da Justiça e do Incra.

No acampamento da fazenda Itacaiúnas há três grupos de sem-terra. Um montado da própria fazenda e outros dois oriundos das fazendas: Mutamba e Estrela da Manhã. Antônio Carlos Gomes dos Reis, o “Sete Cobras”, 49, diz que a ocupação foi necessária para que os sem-terra sejam assentados. “Não tínhamos outra alternativa, pois ao longo dos anos vários acordos foram firmados e nenhum deles foi cumprido”, comenta.

Outro sem terra que já está há mais de dois anos do acampamento é Joaquim Costa Ferreira, 70. Ele acredita que toda a situação poderia ser minimizada caso fosse criado o assentamento. “Até quando vamos ficar debaixo da lona preta?”, indaga justificando a ocupação.

POLÍCIA

Agentes da Delegacia de Conflitos Agrários de Marabá (Deca) constataram a ocupação da fazenda. Na manhã de ontem (3) o delegado Victor Costa Lima Leal informou que deve abrir um inquérito para apurar a ocupação e os sem-terra podem ser responsabilizados penalmente. Eles deverão responder pelos crimes de esbulho possessório, dano e formação de bando, ou quadrilha. No sábado à tarde os agentes detectaram que as instalações da fazenda estavam intactas, apesar da ocupação.

Os sem-terra estão pulverizados nas localizadas Lajinha, Pedra Grande, Sede e Entrada da Fazenda. Os sem-terra informaram aos policiais que a Agropecuária Santa Bárbara tem passe livre para, caso queira, recolher todo o rebanho bovino, estimado em pelo menos 9 mil animais, bem como todos os móveis e objetos das casas, assim como as máquinas e implementos agrícolas. (E.S.)

(Diário do Pará)

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