O colegiado de líderes partidários se reúne, hoje, a fim de decidir a data da eleição para escolha da mesa-diretora da Assembleia Legislativa do Pará (AL), segundo anunciou o presidente da casa, Manoel Pioneiro (PSDB), no final da sessão de ontem.
Depois da formalização da candidatura do deputado Márcio Miranda (DEM) pela base governista, em confronto à candidatura de Martinho Carmona (PMDB), que representa o bloco PMDB-PT, os deputados votaram ontem o requerimento de autoria do líder do PMDB, Parsifal Pontes, solicitando ao presidente a marcação da data da eleição, já que o PSDB demonstrou disposição de levar a disputa para fevereiro, início do próximo ano legislativo, com a intenção de evitar o voto do líder do PPS, João Salame, eleito prefeito de Marabá e que deixará o parlamento no final deste mês e é voto assegurado para Martinho Carmona.
O requerimento foi derrotado por 20 votos a 15. Na noite anterior, em reunião do governador Simão Jatene (PSDB) com os deputados da base aliada ficou decidido que Márcio Miranda substituirá José Megale (PSDB) na disputa pela presidência da AL. Ontem, Megale anunciou a retirada da disputa.
Também foi definido que o requerimento seria posto em votação e uma verdadeira tropa de choque dos dois lados foi convocada para o embate. Deputados que pouco aparecem na casa bateram ponto ontem. O quórum de 35 parlamentares se tornou raridade no plenário do parlamento estadual, apesar de ser composto por 41 representantes do povo.
APELOS - Na sessão de ontem, houve inúmeros apelos para que o requerimento fosse adiado para que os líderes, em consenso, decidissem a data da eleição, mas o presidente da casa resolveu manter a matéria em pauta, alegando que é um político democrático. “O regimento interno da casa me dá todos os poderes para marcar a data da eleição. Eu quero ser democrático, mas não posso permitir que uma matéria já em discussão para votação seja retirada. Eu coloquei em votação e quem quiser protestar, que proteste depois da votação”.
Carlos Bordalo (PT) tentou convencer o presidente a retirar a matéria da pauta, pois o horário para votação de requerimentos já havia passado e solicitou também que a data da eleição fosse logo marcada, mas seus apelos surtiram efeito contrário, pois Pioneiro acabou cortando o microfone do petista.
Já o líder do PSol, Edmilson Rodrigues, apelou para o regimento interno, justificando que nenhum líder partidário fora chamado pelo presidente para um acordo, a fim de colocar o requerimento em pauta, como sempre ocorre, e que a matéria nem estava inscrita no sistema eletrônico da casa. Pioneiro respondeu que decidiu em acordo com o autor da matéria, Parsifal Pontes, e o líder de governo, Márcio Miranda. Após a reclamação de Rodrigues, o requerimento foi colocado no painel de votação. “Vossa excelência desrespeitou o regimento interno desta casa em sinal de obediência ao governador e passou a ser o cabo eleitoral da candidatura do deputado Márcio Miranda e do governo estadual”, rebateu Edmilson.
Raimundo Santos (PEN) fez o último apelo ao presidente da casa, solicitando que fosse adiada a votação para a sessão de terça-feira. “O dia da eleição deve ser decidido pelas lideranças, pois o horário de votação de requerimento, como prevê o regimento interno, já passou”.
Por outro lado, o líder do PV, Gabriel Guerreiro, rebateu os deputados contrários à votação, alegando que Pioneiro estava certo e que cumpriu o regimento interno da AL, que segundo Guerreiro, dá amplos poderes ao presidente de colocar a matéria em pauta. “Uma vez colocada em votação, a matéria tem precedência regimental sobre qualquer questão de ordem”.
(Diário do Pará)
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