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Maria abençoa fiéis em Caraparu

Levada pelas águas do rio Caraparu – no distrito homônimo, no município de Santa Izabel, a imagem de Nossa Senhora da Conceição foi homenageada em uma procissão simples, de poucos romeiros, mas de muita fé e tradição. Logo cedo, às 6h, a movimentação é no

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Levada pelas águas do rio Caraparu – no distrito homônimo, no município de Santa Izabel, a imagem de Nossa Senhora da Conceição foi homenageada em uma procissão simples, de poucos romeiros, mas de muita fé e tradição. Logo cedo, às 6h, a movimentação é notada. Às margens do rio, começam a se reunir os marujos, responsáveis pelo transporte da santa. São eles que remam puxando a embarcação com a berlinda, os anjos, o Padre e alguns fiéis. No trajeto, cânticos à virgem, fogos e orações.

Para acompanhar é preciso alugar uma canoa e remar por quase uma hora. A imagem é bela. Por entre as árvores, surgem dezenas de canoas que percorrem o caminho em um clima ameno, ao som do “rogai por nós”, que toca em uma caixa de som levada por um promesseiro. Nem muito sol, nem muito barulho. Tranquilidade para renovar a fé.

A dona Angelina Silva, de idade já notada e pernas cansadas, faz questão de entrar em uma canoa todo ano para agradecer à Virgem pelas graças alcançadas. “Já venho para o Círio de Caraparu há uns 20 anos. Venho pagar minha promessa com ela, que curou meu filho. Ele era epilético”, conta. Vinda da Vila do Lago, comunidade próximo ao distrito, Suzane dos Santos não deixa de participar da festividade. “Desde que eu me entendo por gente, eu venho para esse Círio. Antes, meus pais me traziam e hoje eu trago os meus filhos”, relata.

Nossa Senhora da Conceição não é “protegida” por guardas, mas por marujos. Todos uniformizados se orgulham de fazer parte do traslado. “Sou marujo há 18 anos, fiz uma promessa. Fiquei doente da perna e pedi ajuda dela”, diz Carlos Haroldo. Marujos são de todas as idades, o pré-requisito é querer.

Para quem só assiste, a procissão é diferente e encantadora. “Sou nordestina, mas moro aqui. Já tem uns 10 anos que eu venho para esse Círio, é muito lindo”, comenta Maria Zilda, devota. O Padre Roosevelt Lourinho alerta, porém, para um ponto. “O que queremos é que essa manifestação não seja tradição apenas porque só a tradição não evangeliza. Esse aqui é um momento para conhecer ainda mais Maria, um exemplo de fé. A devoção nela é sem dúvida um sinal de fé autêntica em Jesus”, garante.

A procissão vai até uma capela às margens do rio, que de tão pequena para entrar com a berlinda é necessário executar algumas manobras. Uma missa é celebrada e a imagem é levada de volta ao distrito de Caraparu, onde é recebida com fogos e mais fiéis. Acabou a procissão, começou a festa embalada pela aparelhagens que ficam na orla.

(Diário do Pará)

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