plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 27°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

O dia D para quase 77 mil estudantes

A Universidade Federal do Pará (UFPA) é tradição no Estado e a cada ano bate recorde de inscritos no vestibular. Para o processo seletivo de 2013, cuja prova da segunda fase será realizada hoje, foram 76.864 candidatos.  Os jovens são responsáveis por gr

twitter Google News

A Universidade Federal do Pará (UFPA) é tradição no Estado e a cada ano bate recorde de inscritos no vestibular. Para o processo seletivo de 2013, cuja prova da segunda fase será realizada hoje, foram 76.864 candidatos.

Os jovens são responsáveis por grande parte deste universo que almeja uma vaga na federal. Independente de classe social, etnia ou instituição de ensino da qual são oriundos, muitos não abrem mão da UFPA, apesar do risco de greve de professores, que este ano representou quatro meses sem aulas. “É cultural, tem mais peso no currículo e status”, justifica a estudante do convênio, Bárbara Campos, 16 anos.

Única filha de um casal de funcionários públicos, ela poderia custear uma faculdade particular, mas preferiu a UFPA. “Estudei a vida toda em colégio particular e seria muito bom passar na federal e dar esse alívio a eles (pais)”, diz.

Mesmo tendo prestado vestibular para medicina na Universidade do Estado do Pará (Uepa) e ter ouvido de amigos e professores que o curso de medicina da Uepa é mais organizado do que o da UFPA, a adolescente decidiu que se conseguir passar nos dois vestibulares, vai optar pela federal. “A UFPA tem mais peso justamente por ser federal. Tem peso não só no Pará, mas no Brasil inteiro”, analisa.

A pouca idade de Bárbara pode não revelar, mas a estudante tem planos a médio e longo prazo. O ingresso prematuro na universidade pode ser determinante para que ela concretize os sonhos de forma mais rápida. A adolescente acredita que a continuidade da vida acadêmica refletirá na carreira profissional. “Eu realmente penso em fazer mestrado, doutorado... tem muito médico que já tem PHD e eu tenho tempo e isso é uma vantagem”.

DIFERENÇAS - No Pará, o que percebe-se é que as universidades públicas estão bem voltadas à carreira acadêmica e as faculdades, ao mercado. Essa diferenciação é crucial para os que podem escolher. “Desde o começo a minha mãe dizia para eu não fazer faculdade. Falava para eu fazer universidade, por ser um lugar onde eu certamente poderia pesquisar”, fala, ao lembrar que os pais formaram-se pela UFPA.

Assim como Bárbara, a estudante Gabriela Rocha, 18 anos, vai tentar vestibular na UFPA para medicina. Ela prestou vestibular para medicina em uma faculdade particular, mas não pensa em cursar. “Eu fiz como teste. O meu foco é universidade”, frisa. O curso de medicina é o mais concorrido entre os candidatos não cotistas, com média de 49.04 candidatos por vaga. Entre os cotistas, cai para o quinto mais concorrido, com 30.23 concorrentes por vaga.

Metade das 8.569 vagas ofertadas pela UFPA é destinada a candidatos não cotistas; 22% são para candidatos que cursaram todo o Ensino Médio na rede pública de ensino; 15% para pessoas que se auto declararam negros ou pardos, que são pertencentes à cota cor; 8% para a cota escola pública/ renda – nesta modalidade a pessoa deve ter renda per capita de até um salário mínimo e meio- e os 5% restantes são para candidatos da cota cor/ renda.

Sistema de cotas com novidade
O sistema de cotas gera polêmica no que diz respeito aos aspectos escola pública e cor, apesar de ser adotado pela UFPA desde 2005. A novidade do certame de 2013 é a inclusão da cota renda, destinada àqueles com renda de até um salário mínimo e meio per capita.

“Eu acho injusto. Cotas não é sinônimo de igualdade. Esse sistema mais exclui do que inclui”, acredita Gabriela Rocha, que vai concorrer pelo grupo dos não cotistas. Para ela, a diferenciação de vagas por tipo de escola, cor e renda não é parâmetro para medir conhecimento. “As cotas geram segregação. O governo tem que melhorar a qualidade do ensino público como um todo. Assim, é como se os cotistas não tivessem capacidade de competir de igual para igual”.

A estudante Gabrielle Gomes, 20 anos, vai concorrer como cotista de escola pública no processo seletivo da UFPA. “Aparentemente é menos concorrido”, considera. Por mais que a quantidade de cotistas seja maior que a de não cotistas, a concorrência menor diz respeito, em tese, ao nível dos candidatos.

“Hoje em dia, os alunos de escola pública estão vendo que é preciso fazer um curso de ensino superior e isso gera um aglomerado de gente no sistema de cotas”, observa. “O ensino da escola pública é de baixa qualidade e não acho justo ter que competir ‘de igual’ com os alunos de escolas particulares, até porque eu queria ter essa carga horária e não tive por falta de estrutura da minha escola. O pessoal de escola particular é mais preparado que a gente”, admite a vestibulanda, que vai tentar a prova da UFPA pela terceira vez.
“Se eu não passar esse ano, não sei como vai ser. Vou ter que trabalhar para ajudar em casa e vou ficar com menos tempo. Mas espero passar”.

Dhyego Antônio Pinheiro, 18 anos, é estudante de escola pública, encaixa-se na cota renda e declarou-se pardo. As cotas, na concepção do candidato ao curso de licenciatura em biologia, geram mais oportunidades de adentrar na universidade. “É significativo para os alunos que não têm renda e vida favorecida. É mais uma forma de ascender”, diz. “O aluno de escola pública está acostumado a se esforçar para alcançar seus objetivos, mas não basta passar no vestibular, tem que dar continuidade aos estudos”, avalia.

VAGAS - Muitos alunos de cursinho pré-vestibular estão na lida para conseguir vaga na UFPA. Faculdade particular, para eles, é algo distante. “Meus pais não teriam condições de pagar. De imediato, eles poderiam até tentar, mas depois, ia apertar muito. Muito mesmo”, analisa Dhyego. Mesmo com incentivos como o Financiamento Estudantil (Fies), que possibilita o financiamento parcial ou integral das mensalidades para posterior pagamento, a faculdade não está nos planos dos candidatos. “Quem sabe depois que estiver trabalhando, eu consiga pagar. Mas para ter um bom emprego, eu preciso ter um curso superior”, diz Gabrielle.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!