Parado, sem saída. Às vezes no calor. Escutando insistentes buzinas, que não resolvem nem movem nada. A expressão de estresse, na cara. E a impaciência, na boca. O semáforo parece ficar por cinco minutos fechado e depois de aberto, em 30 segundos torna a fechar. Quando a luz verde acende o primeiro carro é o último a perceber. A rotina do trânsito na Região Metropolitana de Belém tem sido cada dia mais sofrida, com uma frota que cresce e só.
São mais veículos a cada ano. Em 2002, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Belém possuía 151.674 veículos circulando em toda a cidade. Dez anos depois, o número é maior que o dobro. Até o mês de setembro deste ano a frota chegou a 340.674 veículos e a previsão é que facilmente se chegará a 350 mil. Eram 108.113 automóveis e 11.707 motocicletas, há 10 anos. Atualmente são 192.683 carros para 75.063 motos. Em 2002, a frota no Pará inteiro era de 350.178, 10 anos depois, somente Belém está prestes a ultrapassar o número que antes representava todo o Estado.
Hoje são muitas as facilidades de pagamento para adquirir um veículo ou moto. Em momentos de crise, é a indústria automobilística a primeira a ser estimulada. IPI reduzido. Mais carros. Financiamentos a perder de vista. Mais carros e motos. Possibilidade de comprar usados mais baratos e de qualidade. Ainda mais carros. Assim, as distâncias ficaram maiores. Os percursos demorados. Um trajeto simples costuma levar uma hora, na hora do rush, pelo menos.
Para o universitário Alex Rossi, que dirige há somente cinco anos, o trânsito está piorando. “Tem muito mais carro na rua e menos guarda para auxiliar. Tá muito mais caótico e cheio de motoristas irresponsáveis”, avalia. Já a psicóloga Simone Cruz, habilitada desde 1994, as diferenças são muito mais claras. “Antes tínhamos mais espaço e as pessoas eram mais educadas”.
(Diário do Pará)
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