Na última segunda-feira, o DIÁRIO publicou matéria intitulada “A Cor da Violência”, que trazia dados divulgados pelo Ministério da Saúde no Mapa da Violência 2012. De acordo com as informações ali contidas sobre a comparação do número de pessoas afrodescendentes que têm sido mortas em relação à população branca, o Pará figura como o quarto estado do Brasil onde os negros mais morrem, e Belém é a sexta entre as capitais.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) emitiu uma nota contestando os dados apresentados. Segundo o órgão, “quando um óbito devido a causas externas (acidentes, envenenamento, queimadura, afogamento etc.) é registrado, descrevem-se tanto a natureza da lesão como as circunstâncias que a originaram. Assim, para a codificação dos óbitos foi utilizada a causa básica, entendida como o tipo de fato, violência ou acidente causante da lesão que levou à morte do indivíduo. O trabalho não diferiu homicídios dolosos de homicídios culposos, metodologia que não encontra semelhança no âmbito da segurança pública. Neste sentido, os homicídios contidos nos Mapas, por não separarem os dolosos dos culposos (quando não há intenção de matar), não correspondem à realidade dos homicídios”.
Outra discordância da Segup é a respeito do termo “negro”, pois, de acordo com a nota, “o estudo diz respeito ao somatório das categorias Preto e Pardo utilizadas pelo IBGE. Estas duas categorias foram somadas para constituir a categoria negro, desconsiderando amarelo e indígena por escassa participação na população (entre ambas, menos de 0,5%). Portanto, como a maior parte da população paraense encontra-se nas categorias Preto e Pardo (76,8% segundo censo IBGE 2010), a pesquisa torna-se falha sob o ponto de vista de classificação de raça/cor devido à representatividade da população paraense nas categorias Preto e Pardo, situação diferente em outros Estados, sobretudo no Sul do País”.
(Diário do Pará)
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