O secretário de Estado de Saúde Pública, Helio Franco, informou, nesta quinta-feira, 13, em entrevista coletiva, que os servidores e pacientes do Hospital Municipal de Curuçá foram vítimas de intoxicação por tiocianato de amônia, um dos componentes químicos do fixador de radiografia, cuja embalagem danificada permitiu que o líquido vazasse e se espalhasse pelo ambiente hospitalar. Helio explicou que a limpeza inadequada do ambiente utilizando água sanitária e álcool fez com que a substância se tornasse volátil e fosse inalada pelas pessoas no Hospital.
Com os resultados dos exames na mão, Helio Franco afirmou que está totalmente descartada a infecção por vírus, bactéria ou fungo. Os exames em amostras de sangue e urina dos pacientes foram realizados pelo Laboratório Central do Estado (Lacen), Instituto Evandro Chagas e um outro laboratório de fora do Estado. “Não é vírus, não é fungo, não é bactéria”, enfatizou Helio Franco. “Trata-se de um episódio restrito ao Hospital e não há risco de transmissão de uma pessoa para outra”, garantiu.
Segundo Helio Franco, o normal é que o organismo humano carregue até 4mg/litro de tiocianato de amônia. Entre os fumantes, essa taxa até dobra. No entanto, as pessoas afetadas em Curuçá não são fumantes e algumas apresentaram taxas elevadas da substância, variando conforme o tempo de exposição ao produto.
Também foi informado pelo secretário que a morte da paciente Jhenyffer Roberta Abreu dos Passos, ocorrida na Santa Casa de Misericórdia do Pará, não tem relação com o caso de Curuçá, apesar de ela ter passado por lá. Conforme laudo do Centro de Perícias Renato Chaves, ela morreu de infecção generalizada, iniciada com uma infecção urinária, o que é comum em mulheres grávidas, mas que pode afetar os rins se não for tratada de forma adequada. O exame do IEC também apontou que ela estava com dengue.
O secretário de Saúde aproveitou a oportunidade para orientar que as pessoas evitem fazer limpeza de ambientes, inclusive domésticos, usando diversos produtos químicos, pois não se sabe no que pode resultar a mistura dessas substâncias. Ele sugere que sejam usados apenas água e sabão e que os ambientes sejam mantidos arejados. “É sempre bom deixar o vento e o sol entrarem, pois em ambiente seco, as bactérias morrem”, disse ele.
Franco alertou, ainda, sobre os cuidados que os profissionais de saúde devem ter com produtos químicos e com o descarte adequado desses produtos, assim como de medicamentos e insumos hospitalares. Por isso é importante que todos os hospitais tenham Comissões de Controle de Infecção Hospitalar. “Se o caso de Curuçá tivesse sido imediatamente comunicado à Vigilância Sanitária, as consequências teriam sido menores” observou.
O secretário informou que o Hospital Municipal de Curuçá foi higienizado por empresa especializada e será reaberto a partir de hoje com apoio da Sespa, que providenciou alguns equipamentos, medicamentos e insumos, para melhorar as condições de atendimento. Segundo ele, o hospital precisa ser requalificado, pois sua estrutura atual está fora das normas técnicas da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Sobre as vítimas da intoxicação, Helio Franco disse que o continuarão sendo acompanhados e recebendo todo apoio da Sespa. “É importante que sejam monitoradas as suas funções renais, hepáticas e respiratórias”, disse. A médica infectologista e epidemiologista da Sespa, Helena Brígido, explicou que no organismo humano o tiocianato de amônia se transforma em cianeto, e retira o ferro da hemoglobina, prejudicando a sua função de oxigenação do organismo, o que justifica os sintomas como falta de ar, sangramentos vaginais e digestivos e formigamento nas mãos e pés.
O antídoto do tiocianato é um medicamento injetável chamado Hidroxocobalina. “O medicamento se liga ao cianeto, impede que ele se fixe e retire o ferro da hemoglobina e é eliminado na urina”, explicou Helena. O remédio será utilizado apenas em parte dos 32 pacientes afetados pela intoxicação, principalmente nos que apresentam maiores índices de tiocianato. Os que apresentam índices baixos estão eliminando a substância pela urina.
Inicialmente, conforme a médica, os pacientes serão tratados com o medicamento pelo prazo de dez dias e serão reavaliados sobre a necessidade ou não de continuar o tratamento, uma vez que ele também pode gerar efeitos colaterais. Helena ressaltou, por fim, que essas pessoas devem permanecer sob controle e acompanhamento por tempo interditado, para reduzir os riscos de sequelas neurológicas e pulmonares.
(Agência Pará)
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