No local em que ficava o banheiro da casa de Dona Carmen Fernandes, 40 anos, agora resta uma pilha de tijolos e escombros. Durante a chuva que caiu no início da tarde de ontem, as fundações das paredes cederam e, por pouco, a moradora não foi soterrada com o neto de quatro anos no colo. Dona Carmen mora no conjunto Parque Verde, que fica no bairro de mesmo nome. No local, outras casas apresentam rachaduras, infiltrações e correm o risco de ceder.
Os moradores contam que os problemas começaram quando a empresa Geofort, que atua no ramo da construção, começou a levantar um dos muros da nova fábrica que será instalada na área. Em protesto ao ocorrido e para chamar atenção das autoridades, eles colocaram fogo em pedaços de paus, pneus e entulhos, interditando a Rua Yamada durante parte da tarde.
Equipes da Polícia Militar e da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam) acompanharam o protesto. O Corpo de Bombeiros apagou o fogo, no entanto, a manifestação ocorreu de forma pacífica. “Faz uns três meses que eles (Geofort) começaram a levantar esse muro lateral. Agora, a água que antes corria para o terreno, não tem para onde escoar”, protestou Florivaldo Jinkigs, 34 anos, uma das lideranças comunitárias do Parque Verde.
A empresa está comprando e demolindo imóveis para aumentar a área de alcance do muro. Curiosamente, é possível encontrar pedaços esparsos da parede de concreto ao lado das residências. Segundo Florivaldo, os moradores já estão lá há 30 anos. “Nós não somos contra a empresa, pelo contrário. A fábrica pode trazer progresso, gerar empregos. Mas nós queremos que a Defesa Civil avalie essa situação para que isso seja feita de forma segura”, ressalta Florivaldo.
Dona Carmen saiu um pouco machucada do acidente e está mancando. “Eu quero que tomem alguma providência, eu não posso ficar assim. Agora não tenho nem onde ficar porque não posso dormir na minha casa”, lamenta.
A capitã Ana Paula Amador, do Corpo de Bombeiros, orientou os moradores a registrarem Boletim de Ocorrência na Seccional Urbana mais próxima e entrarem com denúncia no Ministério Público. “O nosso trabalho se restringe ao resgate e socorro de vítimas. Como, graças a Deus, não foi necessário atendimento nesse caso, nós vamos acionar o Ciop (Centro Integrado de Operações) para que a Defesa Civil venha avaliar a situação das casas em caráter de urgência e oferecer suporte aos moradores”, explica.
Não havia nenhum executivo da Geofort acompanhando a situação. A reportagem tentou contato com algum responsável pela empresa por telefone, porém, fomos orientados por um funcionário a retornar a ligação durante a semana, em horário comercial. Os moradores pretendem realizar um novo protesto hoje.
(Diário do Pará)
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