As mulheres começam a fazer diferença no mercado de trabalho brasileiro. Nos últimos 10 anos, o nível de ocupação de mulheres em todo o país cresceu mais de 24%, passando de 35,4%, em 2000, para 43,9%, em 2010. A região Norte teve crescimento mais modesto. Saiu de 45,3%, em 2000, para 49,4%, em 2010, uma diferença de 4,1 pontos percentuais.
Mesmo assim, os dados mostram que o desempenho das mulheres foi sete vezes maior do que o masculino, que também cresceu no período, de 61,1%, em 2000, para 63,3%, em 2010: uma diferença de 3,5%. Os dados foram divulgados ontem, 19, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, (IBGE).
Segundo o IBGE, o aumento na escolaridade feminina contribuiu para o resultado. O Censo 2010 mostrou que, em dez anos, o nível de instrução das mulheres continuou mais elevado que o dos homens e, por isso, elas ganharam mais espaço no mercado de trabalho. “Todos os sentidos levam a esse impulso de aproveitamento da mulher no mercado de trabalho. As mulheres têm maior escolaridade do que os homens”, explicou Vandeli Guerra, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.
Em 2010, o nível da ocupação entre as mulheres sem instrução ou com ensino fundamental incompleto ficou em 36,9%. Na faixa de mulheres com ensino superior completo, o nível de ocupação salta para 78,2%.
O nível geral de ocupação no país registrou um índice de 58,9%, com ênfase nas regiões Centro-Oeste (64%), Sul (65,8%) e Sudeste (60,2%). As regiões com menores níveis de ocupação foram a Norte (55,9%) e a Nordeste (52,5%).
EXPANSÃO
A expansão dos índices de ocupação, ao longo da última década, foi desigual entre as áreas urbanas e rurais, demonstrando que a criação de empregos está cada vez mais concentrada nas cidades, com pequeno crescimento no campo. Segundo o IBGE, de 2000 a 2010, o nível de ocupação urbana subiu de 47,6% para 53,8%, enquanto que no ambiente rural houve aumento bem menor, de 49,6% para 50,7%.
Na década, tomando-se a população ocupada a partir dos 10 anos de idade, as regiões com mais trabalhadores no mercado foram a Sul, que cresceu de 53,3%, em 2000, para 60,1%, em 2010, e a Centro-Oeste, de 51,3% para 57,9%. O Sudeste, que concentra a grande maioria da força de trabalho nacional, saiu de 48,7% de ocupação, em 2000, para 54,8%, em 2010, em um incremento de 6,1%.
O pior desempenho coube ao Nordeste, cujo índice de pessoas ocupadas chegava a 43,6%, em 2000, e passou para 47,2%, em 2010, em um crescimento de 3,6 pontos percentuais. No tocante ao nível de ocupação na área rural, o Nordeste foi a única região que registrou decréscimo, saindo de 46,2%, em 2000, para 45,2%, em 2010.
Os dados divulgados pelo IBGE refletem uma situação preocupante no Pará. Das 1.667.900 pessoas empregadas nas mais diversas áreas, mais da metade (748 mil) trabalha sem ter carteira assinada. Uma massa de pessoas sem nenhum direito trabalhista.
Trabalham por conta própria no Pará outras 881.994 pessoas. Os militares e funcionários públicos somam pouco mais de 194 mil. Da massa de 2.9 milhões de pessoas ocupadas no Estado, 188.870 fazem serviços domésticos. Ocupa altos cargos de diretoria e gerência uma pequena fatia de 78.975 pessoas.
O nível de instrução do paraense é o espelho da qualificação profissional no Estado. Em 2010, de pouco mais de 6 milhões de pessoas acima de 10 anos de idade, 3.596 milhões não tinham nenhum tipo de instrução ou o ensino fundamental incompleto. Pouco mais de 247 mil declararam ter nível superior completo.
(Diário do Pará)
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