O vice-prefeito de Marituba, Francisco Raimundo Mendes de Sousa, o “professor poeta” (PT), que assumiu a prefeitura, no último dia 10, quando o prefeito Bertoldo Couto (PPS) foi afastado, denunciou o desvio de mais de R$ 1 milhão do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), além de desvios nas áreas de saúde e educação, entre outras irregularidades, que teriam deixado um rombo de quase R$ 5 milhões. As denúncias foram feitas em entrevista coletiva na sede da prefeitura, ontem à noite.
Segundo o prefeito em exercício, no mesmo dia em que Bertoldo foi afastado da prefeitura pelo juiz da 1ª Vara do município, Homero Lamarão Neto, houve um desvio de R$ 1.080.000,00 do Fundeb. O recurso, que seria usado para pagar os funcionários da área de educação simplesmente sumiu da conta, segundo Raimundo.
O prefeito afastado foi denunciado pelo Ministério Público em ação civil pública pelo atraso no pagamento dos salários, dentre outras supostas irregularidades. Depois que assumiu, o vice fez uma devassa nas contas da prefeitura, por pressão da Justiça que exigiu o pagamento dos salários dos servidores de novembro e determinou que a prefeitura envie a lista dos 800 servidores exonerados, transferidos ou removidos ilegalmente durante o período eleitoral.
ASSESSORES
Francisco Raimundo exonerou 200 assessores da prefeitura que, segundo ele, custavam mais da metade da folha de pagamento de R$ 1,4 milhão dos cerca de 2 mil funcionários do município. Cortou as gratificações pagas, segundo ele, indevidamente a assessores e funcionários, e suspendeu o pagamento dos grandes fornecedores. Ainda assim a prefeitura só conseguiu pagar novembro e o 13º para 90% dos funcionários. Dos 1.143 professores, 70% já receberam, mas ainda faltam recursos para pagar os demais funcionários.
O prefeito em exercício disse que está sofrendo pressões, mas não quis citar nomes “para me salvaguardar e salvaguardar a minha família”. Ele disse que pretende pagar dezembro até o próximo dia 27, mas não garantiu pagar todo mundo por causa das dificuldades financeiras do município. “A folha está inchada, mas não fui eu que coloquei tanta gente na folha de pagamento”.
Resposta
O DIÁRIO tentou contato com Bertoldo Couto, mas ele não foi encontrado na cidade. A reportagem também não conseguiu contato telefônico com o prefeito afastado.
(Diário do Pará)
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