A produção industrial do Pará tem servido muito para desenvolver a economia brasileira, mas pouco para gerar desenvolvimento social, com bons empregos e circulação de riqueza dentro do próprio Estado. O motivo é cruelmente simples: exportamos matéria-prima para grandes países e quase nada produzimos para o mercado interno nacional, porque não nos dispusemos a investir na construção de fábricas e melhorar as estradas para facilitar o escoamento da produção. Em contrapartida, importamos 80% daquilo que consumimos, aprofundando o buraco das distorções em que estamos metidos há 40 anos, desde o surgimento dos grandes projetos na região.
Os números recentes da Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam um crescimento de 1,9% na passagem do trimestres encerrados em setembro e outubro, interrompendo queda que havia começado em junho. Não dá para comemorar, embora o crescimento final de 5,9% tenha interrompido perda de 8,2% acumulada entre maio e agosto. Apesar de tudo, em outubro a produção industrial paraense registrou 3,1%, superando estados como Rio de Janeiro (3,0%), Minas Gerais (2,8%), Paraná (2,2%) e São Paulo (1,6%).
O fato é que para crescer e ingressar em um patamar de competição com outros estados, traduzindo em desenvolvimento os números que hoje ostenta de terceira maior economia do país, o Pará precisa romper o estigma de estado colonizado e encarar o desafio de também industrializar o que exporta. “Obras como as de Belo Monte, a médio e a longo prazos, podem fazer o estado ter uma outra cara, porque a curto prazo não será possível mudar a raiz do modelo de desenvolvimento regional, que foi baseado em uma economia periférica, que lá atrás deu certo, mas hoje no mundo globalizado não faz sentido, porque não agrega valores e nem produtos”, defende o coordenador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Roberto Sena.
Para isso, diz ele, será preciso muito trabalho. Se mudar a matriz, o Estado ficará mais competitivo, mas se isso não ocorrer, haverá muitas dificuldades. “O peixe, exportamos, mas pagamos aqui dentro o preço mais caro. Com o açaí, ocorre a mesma coisa. O Pará exporta boi, mas a carne é cara e foge da mesa da população”, exemplifica Sena, citando o exemplo da própria energia elétrica, que tem o Estado como maior produtor nacional, embora a tarifa aqui cobrada seja a maior do país.
Segundo Sena, a percepção que ele tem da produção industrial no Pará é sob uma outra ótica, a do emprego. “No balanço até outubro, por exemplo, houve um pequeno recuo, mas se pegar o balanço do ano de 2012, houve crescimento”. Isto ocorre, explica, porque a indústria paraense, de maneira geral, é diferente da indústria do centro-sul. A produção daqui ainda é primária, com exceções, seja a mineral, animal ou vegetal. Além disso, o enfoque é muito voltado para a exportação.
Acima da média
3,1%
foi o crescimento da produção industrial do Pará em outubro, superando estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.
5,9%
de crescimento final foi registrado, contra perda acumulada de 8,2% entre maio e agosto
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