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Você sabe o que seu filho está acessando?

Aos 12 anos, Ana Maria Souza tem Facebook, Twitter, Msn, Orkut e e-mail. O que ela mais usa e gosta é o Facebook. “Posso conversar com meus familiares e amigos que estão longe. Me comunico com pessoas que antes não tinha como me comunicar”, diz. Ela

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Aos 12 anos, Ana Maria Souza tem Facebook, Twitter, Msn, Orkut e e-mail. O que ela mais usa e gosta é o Facebook. “Posso conversar com meus familiares e amigos que estão longe. Me comunico com pessoas que antes não tinha como me comunicar”, diz. Ela afirma passar quatro horas na internet, diariamente, não apenas acessando a rede social preferida, mas assistindo a vídeos, pesquisando e estudando. Tudo sob os olhares atentos dos responsáveis.

A menina não é exceção no que diz respeito a crianças e o envolvimento com redes sociais. De acordo com pesquisa da TIC Kids Online Brasil 2012, divulgada em outubro, em todo o Brasil 70% das 1.580 crianças e dos adolescentes entrevistados têm perfil próprio nas redes sociais.

A pesquisa apontou ainda que 42% dos menores de 13 anos, entre 9 e 10 anos, e 71% de 11 e 12 anos já fazem uso das contas dos perfis na internet. Porém, para que os acessos dessas crianças fossem permitidos, eles tiveram que mentir a data de nascimento, uma vez que a idade mínima exigida para a criação de um perfil é de 13 anos.

Mais da metade dos jovens ouvidos na pesquisa – 63% – podem navegar nas redes sociais com total liberdade e sem qualquer acompanhamento dos pais. À TIC Kids Online Brasil 2012, 53% dos pais afirmaram que não têm o hábito de usar a internet. Mas 71% acreditam que as crianças fazem uso da internet com segurança.

A segurança, entretanto, pode ser imaginária. Entre crianças de 9 e 10 anos, segundo a pesquisa, 6% já tiveram contato por meio da rede com alguém que não conhecia pessoalmente. O percentual aumenta para 26% entre 11 e 16 anos.

Para preservar o filho Davi Lobato Santos, 10 anos, a administradora de empresas Mônica Santos, 44 anos, permitiu que ele tivesse um perfil no Facebook somente se seguisse algumas recomendações. “Ele me perguntou se podia ter Facebook e disse que eu não teria com o que me preocupar, porque ele não iria colocar nenhuma foto dele, mas de um desenho, e iria colocar uma data de nascimento diferente. Assim, só as pessoas mais próximas sabem que é ele”, conta.

Pais devem vigiar pequenos internautas

Contudo, a omissão da real data de nascimento não é sinônimo de proteção total. Ao se inscrever no Facebook, é obrigatório informar nome, endereço de e-mail, data de nascimento e sexo. A data de nascimento permite à rede social fazer coisas como exibir conteúdos e anúncios apropriados à idade anunciada.

O próprio Facebook informa ainda que “fornecer sua data de nascimento ajuda a assegurar que você receba a experiência certa para sua faixa etária. Você pode optar por ocultar essa informação de sua linha do tempo mais tarde se desejar”.

Como forma de verificar o que o filho faz na rede, Mônica olha o computador do menino. “De vez em quando, eu entro no quarto e vejo o computador, vejo quem são os amigos e com quem ele fala”, revela. “Nem eu nem o pai dele temos Facebook. Não somos muito ligados em redes sociais”, afirma. Assim, ela não tem como acompanhar as publicações do filho, como poderia se tivesse uma conta na rede social e fosse amiga de Davi.

A maior preocupação de Mônica é que Davi se aproxime de pessoas mal intencionadas. O medo é o mesmo da tia de Ana Maria, Silviane Souza. Para maior controle das informações compartilhadas, ela fica atenta ao que a menina pode ou não publicar. “Ela fez o perfil mais para falar com o pai e a mãe, que moram em outro estado e usam as redes sociais para se comunicar”, explica.

Silviane tem Facebook e às vezes “stalkeia” – bisbilhota - o perfil da rede social da sobrinha. “De vez em quando, eu dou uma olhada, sento do lado. Quando ela deixa aberto, eu vou lá e fuço. Eu tenho acesso à senha dela, mas procuro abrir só em último caso”, afirma. Ana Maria quase não utiliza o Twitter e o Orkut. O compartilhamento de informações e as conversas são feitas pelo Facebook e Msn.

Já Davi gosta mesmo de jogar online e pesquisar preços e possíveis lugares para viajar. O tempo do menino é preenchido durante a semana com atividades como curso de inglês e treinos de futebol e kung fu. “Eu vejo o meu Facebook todos os dias, pelo menos 45 minutos ou uma hora. Gosto de jogar e ver os comentários e fotos dos meus amigos”, lista.

Se tivesse que escolher o que mais gosta de fazer nas horas vagas... “Daria empate entre o kung fu e a internet. Gosto muito dos dois”, justifica o menino de 10 anos, que tem também conta de e-mail e estuda no 5º ano do Ensino Fundamental.

TRAJETÓRIA EM NÚMEROS

1.580

crianças e adolescentes e o mesmo número de pais foram ouvidos pela pesquisa, em todas as regiões brasileiras.

86%

colocam em seu perfil foto que mostra claramente o rosto.

63%

podem navegar nas redes sociais quando quiser, sem acompanhamento dos pais.

(Diário do Pará)

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