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Motoristas apelam ao bom velhinho

Imaginem que, em vez das entregas noturnas que realiza anualmente, Papai Noel resolvesse viajar durante o dia este ano. Para não chamar tanta atenção, deixaria suas oito renas descansando no Polo Norte e usaria o transporte público para trabalhar, como a

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Imaginem que, em vez das entregas noturnas que realiza anualmente, Papai Noel resolvesse viajar durante o dia este ano. Para não chamar tanta atenção, deixaria suas oito renas descansando no Polo Norte e usaria o transporte público para trabalhar, como a grande maioria dos mortais.

Depois de passar pela Europa, Ásia e Oceania, finalmente o bom velhinho chega à América e resolve começar os serviços por Belém. Assim que conclui todas as entregas, exausto, ele se despede dos belenenses, depois de ficar uma hora e meia preso em um engarrafamento quilométrico na avenida Almirante Barroso, às seis da tarde, com o cronograma todo atrasado.

Acostumado a climas mais frios e com o traje errado, o Bom Velhinho, por pouco, não sofre uma grave desidratação preso em um alagamento no Ver-o-Peso, que inundou com a maré alta e a chuva. A situação ficou crítica depois que dois carros se encostaram no trecho em que a Boulevard Castilho França se estreita. Depois de ouvir muita buzina, motorista xingando e passageiro reclamando no ônibus, Noel, sensibilizado, resolve colocar um presente especial em sua lista quilométrica de 2013: dar a Belém um trânsito menos caótico.

Segundo o Detran, em 2011, a frota de carros na Região Metropolitana de Belém já chegava a casa dos 390 mil e Belém já estava acima da média nacional, com 22,3 carros para cada 100 habitantes (a média do Brasil é de 8 para cada 100 habitantes). Segundo coordenador de planejamento do Detran, Carlos Valente, até 2021, a estimativa é que apenas a frota atual de cerca de 96 mil motocicletas cresça em 500 mil veículos. É, Papai Noel, a coisa pode piorar.

Com carros de sobra na rua, poucas vias de escoamento e trânsito afetado com as obras do Bus Rapid Transit (BRT), os adjetivos ao trânsito de Belém variam de horrível para péssimo. Paulo da Costa, 51, taxista há mais de 15 anos, afirma que Belém tem poucas vias de circulação e que é preciso meditação para manter a calma durante o trabalho. “Antigamente a gente contava de um até cem. Agora, a gente precisa contar de um até 200”, brinca. A aposentada Anésia Cardoso, 87, lembra que tanto estresse pode fazer mal à saúde. “Todo mundo quer ter carro agora. Parece que se tu não tem carro, tu não é gente. Ninguém se entende nesse trânsito”, observa.

O relato do comerciante Pedro Pantoja, 34, reflete bem a rotina de muitos belenenses. “Ontem [quinta-feira, 20], eu fiquei uma hora e meia preso na Antônio Baena. O trânsito tá cada vez pior. Falta espaço. Dizem que o BRT vai melhorar. Quem tem ouvido, que ouça o que falam, né!? Eu acho que só Deus pode dar um jeito nisso”, lamenta.

Vamos torcer para que, depois da experiência amarga, Papai Noel interceda por nós. Fato é que o Bom Velhinho chegou à conclusão que muitos já imaginaram ser verdade, em teoria: é mais rápido cruzar o mundo voando do que atravessar a grande Belém de ônibus ou de carro em horário de pico.

(Diário do Pará)

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