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Nos embalos da grande festa da marujada

Católicos vivem o auge da 214ª Festividade de São Benedito, hoje (26), quando a procissão sai pelas principais ruas da cidade, às 16h. Entretanto, desde terça-feira, 18, a dança da marujada atrai apreciadores para Bragança, onde a programação de sho

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Católicos vivem o auge da 214ª Festividade de São Benedito, hoje (26), quando a procissão sai pelas principais ruas da cidade, às 16h. Entretanto, desde terça-feira, 18, a dança da marujada atrai apreciadores para Bragança, onde a programação de shows iniciada na sexta-feira, 21, garantiu grande animação à manifestação prestes a render mais um reconhecimento oficial de Patrimônio Artístico Cultural ao município, o xote bragantino, popularizado pela marujada, que já ostenta tal status desde 2009.

A missa celebrada às 8h da manhã de hoje, na Igreja de São Benedito, inicia a programação do último dia da Festividade de São Benedito, em Bragança.

Às 10h, começa o Leilão do Santo, onde são apregoados animais, produtos agrícolas e objetos ofertados, entre os quais a pitomba é considerada um símbolo do evento, cuja brincadeira de guerra de caroços da fruta se tornou a principal característica da reunião entre amigos de longa data que não abrem mão do encontro anual. Paralelamente ao leilão, as marujas dançam no Teatro Museu da Marujada até o meio-dia, quando é dada a pausa para o almoço oferecido pela juíza da festa. A procissão sai da Igreja de São Benedito às 16h, percorrendo as principais ruas do centro, com chegada ao local de partida prevista para o início da noite, quando será realizada missa campal.

Ontem, além da farta sessão de dança da marujada, a programação contou com o almoço oferecido pelo juiz da festa e às 16 marujas, com a cavalhada, porfia entre duas equipes de montarias, diferenciada pelas cores azul e vermelha, tendo como objetivo acumular o maior número de argolas num ponto estabelecido no jogo. A manifestação é uma alusão às disputas entre mouros e cristãos.

PATRIMÔNIOS

Este ano, além da iluminação da igreja tombada pelo Instituto Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), projeto da light designer Lúcia Chedieck, inaugurada no dia 08 de dezembro, a possibilidade de ter o xote bragantino declarado como Patrimônio Artístico e Cultural Paraense, o xote bragantino, popularizado pela marujada, representa mais um valor agregado à maior manifestação do povo, que já tem tal reconhecimento. Entretanto, enquanto a lei ainda tramita na Assembleia Legislativa do Estado, rituais bicentenários são repetidos com mais entusiasmo a cada ano.

O Patrimônio Artístico Cultural Paraense, através de lei estadual em vigor desde 2009, a marujada acrescentou costumes indissociáveis do povo, como o xote bragantino, introduzido no município pelos europeus e popularizado pelos escravos, a partir da inclusão do ritmo entre os sete que compõem as coreografias dançadas na manifestação: a roda, retumbão, chorado, mazurca, valsa e a contradança. E o jeito do xote dançado pela marujada, com passos em que os pares se agarram e se soltam, conquistou o gosto dos bragantinos, tornando-se a principal garantia de pista de dança cheia nos mais variados ambientes sociais, há mais de dois séculos. “A marujada foi responsável pela popularização desta maneira de dançar aqui em Bragança e se mantém como reduto deste tipo de xote. Quando alguém dança errado, é disciplinado”, explicou o historiador Dário Benedito Rodrigues, cujo mestrado teve como objeto de estudo a marujada de Bragança.

Entre os tantos admiradores declarados da performance típica, destaca-se o saudoso Adelermo Matos, autor de composição “Xote Bragantino”, pérola do cancioneiro paraense. Entretanto, para a deputada Simone Morgado, autora da lei que declarou a marujada de Bragança Patrimônio Artístico e Cultural Paraense, há três anos, além da composição, que é motivo de muita honra na cidade, onde sempre é executada nos eventos culturais, faz-se necessário oficializar tal peculiaridade do município por ela representado, o que a levou à elaboração projeto de lei que está tramitando na Assembleia Legislativa, solicitando o mesmo reconhecimento atribuído à cultura caeteuara, em 2009.

“Com a lei que declara o xote bragantino Patrimônio Cultural e Artístico Paraense, além da autoestima de todos nós que dançamos desse jeito que aprendemos assistindo à marujada, também aumenta a possibilidade de preservação e difusão da manifestação, através de incentivos culturais garantidos pelas esferas estadual e federal para municípios que dispõem desses fenômenos”, justificou a deputada Simone Morgado.

(Diário do Pará)

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