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Acordo Ortográfico valerá apenas em 2016

Extinção do trema e supressão do hífen em prefixo terminado em vogal e elemento seguinte começado de “r” ou “s”. Estas são algumas orientações que fazem parte das novas regras gramaticais, que passariam a ser obrigatórias daqui a quatro dias, segund

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Extinção do trema e supressão do hífen em prefixo terminado em vogal e elemento seguinte começado de “r” ou “s”. Estas são algumas orientações que fazem parte das novas regras gramaticais, que passariam a ser obrigatórias daqui a quatro dias, segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Por decisão do governo federal, o acordo que visa padronizar as regras ortográficas entre países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) passará a ser regra geral apenas em janeiro de 2016.

No início do mês, o senador Cyro Miranda (PSDB-GO), membro da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, já havia antecipado que o governo federal estenderia o prazo para a obrigatoriedade das regras, pois o ideal seria elaborar um novo acordo com maior participação da sociedade.

A decisão oficial foi publicada ontem no Diário Oficial da União. Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste assinaram o acordo.

No entanto, cada país ficou responsável por ratificar o documento e definir os prazos para que o mesmo vigorasse. Em Portugal, por exemplo, as medidas foram promulgadas em 2008, no Brasil, foram ratificadas no mesmo ano. Em ambos os países, as regras já estão em vigor, porém em caráter não-obrigatório. Por hora, as duas regras continuam valendo.

PORTUGUÊS

Segundo a professora do curso de Letras da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Socorro Cardoso, a decisão da presidente Dilma Rousseff é política e visa acompanhar o calendário português.

“Como em Portugal a não-obrigatoriedade vai durar por mais três anos, o governo federal achou por bem fazer com que o acordo seja obrigatório só em 2016 também. Na prática, isso não vai alterar tanta coisa. Como muita gente ainda tem uma certa dificuldade, apenas dará mais tempo para as pessoas se adaptarem às regras”, afirma. “Os livros didáticos já vêm com o novo acordo e nós percebemos que os alunos já têm preocupação em escrever de acordo com ele”, explica.

Segundo a professora, o acordo foi assinado em 1990, mas as discussões que levaram à sua criação começaram na década de 70. “Não é um acordo tão novo assim. Na verdade, seria necessário criar um novo ou modificar o já existente, mas como isso demandaria mais tempo, vai começar a vigorar mesmo estando um pouco defasado. A escrita demora a mudar, não é tão dinâmica quanto a fala”, esclarece.

Os motivos que justificam o acordo, segundo o governo federal, são questões como a redução nos custos de impressão dos livros, a melhora do intercâmbio cultural entre países de língua portuguesa e o fortalecimento da CPLP.

“É uma briga de foice para esse acordo começar a vigorar. São questões políticas. Enquanto o Brasil não der seu grito de independência linguística, estaremos sempre atrelados às decisões de Portugal”, conclui a professora Socorro.

DESCONHECIMENTO

Nas ruas, o que se percebe é que o desconhecimento em relação ao Acordo Ortográfico predomina entre a população. Para muita gente, o adiamento da obrigatoriedade de se respeitar as novas regras não faz diferença, pois há uma grande confusão a respeito de que regras seriam essas. “Eu nunca tinha ouvido falar desse acordo. Não sei nem opinar a respeito porque não sei do que se trata”, fala a doméstica Socorro Torres, 30 anos.

(Diário do Pará)

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