A primeira opção de carreira para Lucas Leal foi a odontologia. Na academia, entretanto, precisou de menos de três meses para perceber que não tinha talento para a profissão. Ele voltou para o cursinho, mas tinha uma dúvida como companhia: fazer jornalismo ou administração?
“Jornalismo era mais coração porque a razão pedia administração. E foi o que acabou falando mais alto”, afirma o universitário que receberá o diploma de administrador ao final do primeiro semestre do ano que vem e não mostra arrependimento. “De cara vi que tinha me encontrado. Estou realizado , mas não dá pra negar que o mercado teve grande influência na escolha”, admite.
Aos 22 e ainda na faculdade, Lucas encontrou na família o apoio de que precisava para, como afirma, seguir rumo ao sucesso. Acompanhou o caminho do pai engenheiro que tem o próprio negócio e há pouco mais de dois meses abriu sua empresa particular especializada em bikes. “Sabia que meu pai me apoiaria, mas agora é comigo. Eu me dediquei na faculdade, participei de competições, fiz intercâmbio. Tudo para me estabilizar na profissão que escolhi”, avalia o jovem empreendedor.
Raciocínio correto, de acordo com o gestor de recursos humanos, Marcelo Gouvêa. Segundo o especialista, opções ligadas às engenharias estão em alta no mercado. “A construção civil favorece bastante esse quadro. A mineração e a petroquímica também. Situação que deve permanecer estável pelo menos pelos próximos cinco anos”, calcula. “Mas é preciso estar atento porque no caso da exploração de minerais, por exemplo, a maior oferta se concentra no interior do Estado e o perfil do paraense é evitar migrar para o interior. Tudo deve ser avaliado”, ensina.
Cargos ligados à geologia e técnicos, como segurança do trabalho, também merecem destaque atual. Cenário impulsionado, em parte, pelas inúmeras obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal em todo o país, a realização da Copa do Mundo (em 2014) e Olimpíadas do Rio de Janeiro (em 2016).
ESCASSEZ
Mas outras áreas também apresentam expansão, segundo estudo de uma empresa norte americana realizada em sete países, incluindo o Brasil. Entre novas especialidades e atividades com escassez de profissionais aptos, revela a pesquisa, chegam a ser pagos salários de até R$ 45 mil como é o caso da função de “Gerente de relações governamentais” no qual os profissionais devem ficar responsáveis pela interlocução da empresa junto a órgãos governamentais e agências reguladoras, como Anatel e Aneel.
Na contramão, entretanto, avalia Marcelo, estão profissões mais tradicionais como ciências sociais, medicina veterinária, jornalismo, pedagogia e licenciaturas em geral. “São profissões importantes, que não deixarão de existir mas que encontram um mercado mais saturado. Não são raras as vezes em que se encontram profissionais reclamando da baixa remuneração e precisando complementar a renda com outras atividades”, avalia.
VOCAÇÃO
“O profissional não precisa se sentir frustrado com a profissão. É possível acompanhar as tendências do mercado através de especializações . Quando se fala em carreira é fundamental se fazer o que gosta e tem prazer, portanto, o ideal é aliar o sonho ao mercado e se qualificar sempre”, destaca o gestor de recursos humanos.
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