O vereador Paulo Queiroz (PSDB) foi eleito com 24 votos o novo presidente da Câmara Municipal de Belém (CMB). Dos 35 vereadores que tomaram posse ontem, oito votaram contra a chapa do tucano (Psol, PT e PSTU) e três se abstiveram: os dois vereadores do PCdoB e Zeca Pirão, do PMDB.
Queiroz concorreu com chapa única, composta também pelos primeiro vice-presidente Pio Neto (PTB); segundo vice-presidente Miguel Rodrigues (PRB); primeiro secretário Wanderlan Quaresma (PMDB); segundo secretário José Elias Almeida (PPS); terceiro secretário Gleysson Oliveira (PSB) e quarto secretário José Luiz Dinely (PSC).
O novo presidente da CMB admite que tem um grande desafio pela frente, mas que já tem planos a partir de uma planilha a ele apresentada pelo ex-presidente da Casa, Raimundo Castro (PTB). Estão listadas necessidades urgentes que terão que ser realizadas, como a recuperação da central de ar-refrigerado da casa. Quanto aos votos contrários e abstenções que recebeu na eleição, Queiroz disse que isso faz parte do processo democrático.
A disputa foi marcada pela desistência de outros dois possíveis candidatos. Marinor Brito (Psol) e Zeca Pirão (PMDB) desistiram de registrar chapa para concorrer à eleição da mesa-diretora da CMB porque não conseguiram apoio suficiente para a disputa. Pirão informou que o PMDB liberou o voto da bancada, portanto, não iria concorrer sem apoio de sua legenda. Já a vereadora do Psol não conseguiu apoio das duas outras bancadas de esquerda, PT e PCdoB, que juntas somam cinco votos. Restariam apenas os quatro votos do Psol e um do PSTU, insuficientes para formar uma chapa para mesa-diretora, que deve ser composta por sete membros.
A sessão foi presidida por Marinor Brito, a vereadora mais votada na eleição municipal de 2012. Além dela, Zeca Pirão e a vereadora Maria Eduarda Rocha (PPS) dirigiram a sessão de posse dos 35 vereadores da capital paraense e, em seguida, a realização da eleição da mesa-diretora da casa.
A sessão foi tumultuada: familiares e vereadores se misturavam em plenário e o tom de bagunça ao evento ainda contou com a falha da central de ar-refrigerado.
Discursos de posse: de mais do mesmo a Belo Monte
Quatro vereadores discursaram na primeira sessão da CMB após tomarem posse: Miguel Rodrigues (PRB), Sandra Batista (PCdoB), Igor Normando (PHS) e Cleber Rabelo (PSTU), muito aplaudido pelos militantes do seu partido, que lotaram a galeria popular com faixas e cartazes de celebração pelo primeiro membro do PSTU eleito para o legislativo municipal em Belém.
Miguel Rodrigues, membro da base aliada do prefeito Zenaldo Coutinho e integrante da nova mesa-diretora da casa, ressaltou que todos os vereadores eleitos pela população têm obrigação de defender os interesses dos eleitores, de todo o povo de Belém.
A veterana Sandra Batista, que retorna à CMB após dois mandatos de deputada estadual e um na vice-prefeitura de Ananindeua, acentuou seu pronunciamento nos desafios que a nova legislatura terá que enfrentar em Belém com as demandas da cidade, apontando os baixos índices de saneamento, água potável, entre outros. “Belém foi maltratada nos últimos oito anos. Precisamos construir uma cidade mais humana”, ressaltou.
Já o novato Igor Normando, destacou que com apenas 25 anos pretende legislar voltado não somente com projetos que beneficiem a juventude, mas também para toda a população da capital paraense. Garantiu que pretende realizar grandes debates sobre os problemas de Belém com a participação popular.
Também novato no parlamento, o primeiro representante do PSTU no legislativo municipal de Belém, o operário da construção civil, Cleber Rabelo, lembrou que a capital paraense está às vésperas de completar 400 anos, mas as demandas são inúmeras. “Temos mais a lamentar que comemorar”, acentuou, ressaltando a escalada da violência nos bairros da cidade, especialmente na periferia.
Rabelo finalizou homenageando os cinco operários da usina hidrelétrica de Belo Monte que foram presos, acusados de depredação da obra. Ele lembrou que o Brasil é um país que tem inúmeros casos de pessoas acusadas de corrupção e que estão em liberdade, apesar do clamor da sociedade por justiça. “Enquanto isso, os operários, pais de família passaram natal e as festas de ano novo trancafiados, sem que se tenha provas contra eles”, criticou.
(Diário do Pará)
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