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Dignidade e direitos são esperados em 2013

De “casas”, que na verdade são caixotes de madeira cobertos por plástico que mal cabem um colchão de solteiro, localizadas na calçada da travessa Benjamim Constant, com vista para a não menos estigmatizada praça general Magalhães Barata, bairro Umar

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De “casas”, que na verdade são caixotes de madeira cobertos por plástico que mal cabem um colchão de solteiro, localizadas na calçada da travessa Benjamim Constant, com vista para a não menos estigmatizada praça general Magalhães Barata, bairro Umarizal, na última manhã de 2012 encontramos algumas pessoas excluídas, conhecidas como moradores de rua. Muitos sem qualquer documento, sob o sol preguiçoso do final de dezembro, elas falaram que esperam de 2013 e dos novos governantes a chance de ter uma casa de alvenaria para morar e condições de arrumar emprego. “Mas já estamos cansados de promessas”, afirmou Roseane, 32, que há 20 anos é moradora de rua.

Segundo o casal André Luiz, 35, e Franci, 38, que moram nas ruas desde os seis anos de idade, receber merenda e ajuda vez ou outra de pessoas caridosas não é suficiente. “Gostaríamos de um governo que desse pra nós condições de ser que nem gente mesmo. Eu até consegui tirar meus documentos, mas não arrumo emprego”, afirmou André, que aceitou dar entrevista, embora desconfiado, mas não quis ser fotografado.

Há poucos metros dali, na Estação das Docas, onde dificilmente André e companhia se sentiriam num lar, a dona de casa Márcia Pacheco, 40, falou das expectativas para o ano que chega. “Eu passei muitos anos no Paraná e quando voltei vi que muita coisa tinha melhorado. Em Curitiba tem BRT, mas lá funciona porque as ruas são bem largas. Aqui eu não sei se vai funcionar, com essas ruas apertadas que temos”, previu.

A conclusão do BRT também é o que deseja o casal de estudantes Felipe Lelis, 22, e Tainara Gonçalves, 17. Para Felipe, também, embora tenha ouvido o novo prefeito afirmar que as obras estariam prontas somente em 2014, a certeza de que a obra será um sucesso ainda é uma incógnita. “Mas temos problemas como saúde e segurança que gostaríamos que o novo prefeito [de Belém, Zenaldo Coutinho] desse prioridade”, palpitou Tainara.

Já a psicóloga Isis Rodrigues, 26, paulista que veio viver as festas de fim de ano na Amazônia, restaurar o belo, porém carcomido centro histórico de Belém deveria ser visto com mais carinho. “Eu vi o shopping popular reformado e achei ótimo, mas também vi muitos casarões antigos caindo aos pedaços”, ponderou.

Garantir direitos constitucionais fundamentais como o de moradia para os moradores de rua do centro de Belém, segurança e saúde são os grandes desejos para o ano-novo de quem vive um processo de urbanização em Belém que parece teimar em esquecer o passado e em não planejar bem o futuro. “Mas apesar de tudo temos esperança”, concluiu o estudante Felipe.

(Diário do Pará)

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