Pessoas acima de suspeitas, sem históricos criminais, que, até então, levavam uma vida que poderia ser considerada normal. De repente, seus nomes aparecem veiculados em meios de comunicação associados a crimes bárbaros que chocam a opinião pública. São homicídios qualificados, assassinatos entre membros da própria família, estupro de vulneráveis... Para os parentes das vítimas, a pergunta que muitas vezes permanece sem resposta é: por quê? Qual a justificativa para tanta maldade? Em alguns casos, a origem do mal é, simplesmente, involuntária. Certos delitos, na verdade, são consequências extremas de transtornos mentais que permaneceram anos sem o tratamento adequado.
No Brasil, quando os crimes são motivados por doenças mentais, os autores são destinados aos Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTPs) espalhados pelo país. Na maioria dos casos, os HCTPs são ligados ao sistema penitenciário e mesclam confinamento penal e internação psiquiátrica. Um estudo realizado em 2011, divulgado em dezembro do ano passado, pelo Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis), financiado pelo Ministério da Justiça, por meio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) revela a realidade destas instituições.
O Censo aponta que, em 2011, 3.989 homens e mulheres permaneciam em regime fechado em HCTPs despreparados para oferecer o tratamento compulsório, determinado por determinação judicial. Uma população carcerária pequena comparada aos cerca de 550.000 internos do sistema penitenciário brasileiro, segundo o Ministério da Justiça. No entanto, são indivíduos afligidos por transtornos que os tornam imprevisíveis e perigosos demais para o convívio social.
Segundo o estudo, muitos internos estão confinados há mais tempo que o máximo previsto pelo Código Penal, 30 anos. Grande parte já nem deveria ser de responsabilidade do Estado, mas permanece presa devido à lentidão pericial e, a exemplo do sistema penitenciário comum, da morosidade burocrática do Judiciário. Mesmo após cumprir as medidas judiciais, muitos libertos não têm o apoio necessário e acabam reincidindo.
Tratamento pode levar à ressocialização
O Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico do Pará está localizado no Complexo Penitenciário de Santa Izabel, na Região Metropolitana de Belém, e tem capacidade para 120 pessoas. É o único do Estado preparado para receber internos com transtornos mentais e abarca uma grande demanda do interior. Na época do Censo, era a oitava maior unidade em população de pessoas no país, abrigando 4% da população total dos 26 estabelecimentos de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. Eram 165 pessoas, em 2011, sendo 152 homens, 12 mulheres e um indivíduo “sem informação de sexo”.
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