Dezenas de trabalhadores da empresa Transporte Marituba (Transmab) denunciam que o Sindicato dos Rodoviários do Estado do Pará não está cumprindo acordo celebrado na 1ª Vara da Justiça do Trabalho de Ananindeua, em abril de 2009, para pagamento de R$ 225 mil referente ao décimo terceiro salário de 1994. Dos mais de 300 trabalhadores que deveriam receber o dinheiro, recolhido aos cofres do sindicato desde 2009, poucos até agora conseguiram embolsá-lo. O sindicato, segundo os denunciantes, recebeu inicialmente da Transmab R$ 45 mil, mais oito parcelas de R$ 18 mil, mas os valores até agora, com raras exceções, não foram repassados aos trabalhadores. O valor total é oriundo de multa imposta à empresa pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT) por não ter feito o pagamento à época.
O presidente do sindicato, Altair Brandão, é acusado pelos trabalhadores de não dar a mínima satisfação pelo não cumprimento do acordo por ele assinado na justiça do trabalho de Ananindeua, deixando muita gente revoltada e insatisfeita. E mais: em vez de pagar cada trabalhador de uma só vez, o sindicato decidiu parcelar o pagamento, irritando ainda mais quem comparece à entidade na tentativa de receber o que lhe é devido.
“Nós fomos dentro de um ônibus com 70 trabalhadores para receber o nosso pagamento, mas o Altair Brandão não quis nos receber. Ou seja, ele está fugindo de sua obrigação e escondendo irregularidades”, desabafou um rodoviário, acrescentando que Brandão criou agendamento para a cada quinze dias pagar pequenos grupos de rodoviários, sem explicar o que foi feito com o dinheiro depositado pela empresa Transmab.
A informação chegada aos rodoviários é de que para pagar o que deve, o sindicato teria feito um empréstimo no Banco Guanabara, de propriedade do empresário Jacob Barata, proprietário da empresa de ônibus Belém Rio. O pior é que todos os membros da direção executiva do sindicato foram obrigados a avalizar o empréstimo, deixando a entidade refém de empresários.
Os rodoviários também denunciam que Brandão não assina a carteira de funcionários do sindicato, além de empregar um filho dele e esposa do tesoureiro na entidade, deixando de prestar contas há três anos dos R$ 250 mil que recebe do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) para o centro de formação da categoria. Um dossiê das supostas irregularidades será encaminhado à DRT e ao Ministério Público.
(Diário do Pará)
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