Uma reunião marcada para as 14h desta terça-feira (8), poderá por fim ao bloqueio no travessão 27, local interditado pelos índios da etnia Juruna ontem em protesto à construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte (UHBM), em Altamira, sudoeste do Pará.
De acordo com os índios o protesto é contra o barramento do rio Xingu que está sendo ocasionado pela construção da hidrelétrica, prejudicando o consumo de água e a pesca, principal atividade das comunidades da área.
Segundo o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), as áreas de atuação dos trabalhadores não foram invadidas pelos indigenas, o bloqueio aconteceu cerca de 4km da portaria de acesso do canteiro de obras, o único prejuizo ficou por conta da paralisação das atividades.
A Norte Energia, empresa responsável por Belo Monte, enviou a redação do Diário Online uma nota a respeito do ocorrido.
NOTA
A Norte Energia S.A., empresa responsável pela construção e operação da Usina Hidrelétrica Belo Monte, informa que todas as demandas de comunidades indígenas próximas à Usina Belo Monte estão em andamento, conforme os acordos fechados em reuniões anteriores entre a empresa e as lideranças indígenas. Algumas demandas são mais complexas, envolvendo obras como, por exemplo, poços artesianos e pistas para pouso de aeronaves. Outras já foram atendidas. A empresa tem mantido constante diálogo com as comunidades indígenas.
Um exemplo é a construção de poço artesiano na aldeia Furo Seco, da etnia Juruna. Em dezembro do ano passado, foi entregue, conforme o negociado com as lideranças indígenas, um poço do tipo amazônico (ou seja, uma cisterna), típico da região e atendendo à solicitação das lideranças da etnia Juruna. Entretanto, foi identificada pelos técnicos da Norte Energia em conversas com os índios a necessidade de construção de poços artesianos, o que já está sendo viabilizado pela Norte Energia.
A empresa assegura que tem feito todos os esforços para atender às necessidades das comunidades presentes nas proximidades de Belo Monte. No caso da atual manifestação, a diretoria da empresa está com reunião marcada para 14 horas, para dialogar sobre os pontos levantados.
A Norte Energia informa ainda que houve na manhã desta segunda (7) um bloqueio do Travessão 27 que dá acesso ao sítio Pimental em Belo Monte feito por cerca de 20 índios da etnia Juruna. Os índios pedem R$ 300 mil para desbloquear a pista, alegando que as águas do Xingu próximas à aldeia estão turvas e que, por este motivo, não podem pescar. Eles solicitam também a construção de poços artesianos nas aldeias.
Reunião
A reunião entre os índios da etnia juruna e a Norte Energia será mediada pelo diretor sócioambiental da empresa Camilo Oliveira que chegou na noite de ontem de Brasília para conversar com os manifestantes.
(Kleberson Santos/DOL)
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