Antes mesmo de concluir seu curso no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), a estudante Gabrielle Gonçalves, 17 anos, já havia passado em um dos cursos mais concorridos do vestibular do Estado: Direito, na Universidade Federal do Pará (UFPA), em 2011. Sem ter o diploma do ensino médio, Gabrielle não pôde entrar na universidade.
No último sábado (5), com a divulgação do listão do vestibular de 2012, a menina que decidiu ser juíza aos 12 anos repetiu o feito de 2011. Gabrielle é uma das novas calouras da instituição. Para realizar duas vezes a difícil missão, a estudante conta que precisou de muito estudo e teve uma ajuda especial. Encartados gratuitamente no DIÁRIO, os fascículos especiais dedicados aos vestibulandos foram providenciais para a aprovação de Gabrielle.
As edições do “Atualidades Enem” e “Revisão Vestibular” formam uma pilha cuidadosamente organizada e encadernada. Hoje, Gabrielle exibe os fascículos com o orgulho de quem sabe que os utilizou com sabedoria. A estudante coleciona os cadernos desde 2011, quando passou pela primeira vez na UFPA.
Na época, o estudo com as publicações era aliado às aulas no cursinho. No último ano, por conta da falta de tempo, a estudante decidiu confiar apenas na revisão que fazia utilizando os fascículos do DIÁRIO. A menina tímida abre mão da modéstia para expressar a alegria de ter conquistado um dos seus maiores objetivos. “Eu me sinto muito feliz e inteligente”, comenta a respeito de sua aprovação, com um largo sorriso.
Gabrielle fala que seu exemplo foi seguido pelos colegas de turma. Como ela, eles passaram a ir à escola acompanhados dos fascículos do DIÁRIO. “Os cadernos me ajudaram principalmente na hora de fazer resumos. Como meus amigos me viam andando com eles, passaram a comprar o jornal só para estudar também”, diz.
ORGULHO
O pai da estudante, José Guilherme Avelar, 65 anos, não esconde o enorme orgulho ao falar da filha. “Eu me sinto superfeliz e realizado. Tanto faz o curso que ela escolhesse, mas Direito é uma área muito bonita e valorizada”, comenta.
Ao contrário da maioria dos jovens de sua idade, que manifestam uma natural indecisão em relação à carreira profissional, Gabrielle estava decidida desde cedo. “Eu sempre vi muita injustiça na sociedade, fome, crime... Eu acho que, se eu me tornar uma juíza, eu posso ajudar a combater isso”. A menina dividiu os estudos com atividades voluntárias que faz na igreja que frequenta. Além disso, a estudante regularmente vira professora e dá aulas às crianças da vizinhança.
Ao olhar para o futuro, Gabrielle mostra segurança e aponta o que já planeja conseguir, sempre através dos estudos. “Eu quero advogar por dois ou três anos e depois disso trabalhar como juíza”, ambiciona.
(Diário do Pará)
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