Segue na tarde desta quarta-feira (9) a reunião entre a diretoria da Norte Energia, empresa responsável pela construção da usina de Belo Monte, em Altamira, e representantes indígenas da etnia Juruna. O encontro foi marcado para negociar a liberação da vicinal que dá acesso aos canteiros do Sítio Pimental e Sítio Canais e Diques. A estrada está ocupada pelos índios desde o dia 07 de janeiro.
Os indígenas pedem R$ 300 mil para que a vicinal, também conhecida como Travessão do km 27, seja liberada. O valor seria uma compensação por prejuízos obtidos em dois meses de suspensão da captura de peixes ornamentais, indicada como principal fonte de renda das aldeias e que teria sido prejudicada pela turbidez (alteração da cor da água) durante a construção das ensecadeiras no Sítio Pimental.
Todos os operários estão impedidos de deixar o canteiro e as atividades estão suspensas, mas os manifestantes permitem a passagem de veículos que levem alimentação para os trabalhadores e combustível para os geradores de energia do canteiro de obras.
O Instituto Internacional de Ecologia e Gerenciamento Ambiental – IIEGA, laboratório contratado pela Norte Energia para monitoramento das águas próximas à obra, constatou que a qualidade da água, tanto para o consumo, quanto para a pesca, está dentro dos padrões estabelecidos pelos órgãos de fiscalização e segurança.
Quanto a outras reivindicações dos índios, como construção de escolas e postos de saúde, a diretoria da Norte Energia reforçou que as obras, previstas no Projeto Básico Ambiental, do Componente Indígena e em projetos do Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRS Xingu), estão sendo realizadas conforme acordos já firmados anteriormente. Atualmente, são cerca de 300 projetos em andamento, somando-se a ações de sustentabilidade e geração de renda dentro das aldeias.
A Norte Energia se comprometeu, também, em verificar as possibilidades técnicas e jurídicas de contratar mão-de-obra indígena para realizar serviços dentro das próprias aldeias, já que esta é outra reivindicação desses grupos.
Além dos diretores da Norte Energia e os índios da etnia Juruna das aldeias Muratu, Paquiçamba e Furo Seco, participam das reuniões de negociações representantes do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Procuradoria da República em Altamira.
(DOL, com informações do Blog Belo Monte)
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