O alimento que propicia o melhor começo de vida para a criança e reduz o risco de mortalidade neonatal – o leite materno – está em falta nos estoques do Banco de Leite Humano da Santa Casa de Misericórdia. Por mês, são arrecadados entre 300 e 400 litros de leite, sendo que para suprir a demanda de bebês internados no hospital – advindos dos 144 municípios paraenses – seria necessário pelo menos o dobro desse quantitativo.
Para ajudar na recuperação das crianças, que já chegam debilitadas ao hospital, o leite materno é imprescindível. “A melhora depende 50% do medicamento e 50% da alimentação”, enfatiza Cynara Souza, gerente do Banco de Leite Humano da Santa Casa. Em média, o hospital recebe 220 bebês mensalmente. “Mês passado foram 270 internações”, lembra.
Responsável pela nutrição trófica – início da alimentação – e pela nutrição plena – que garante o ganho de peso, crescimento e desenvolvimento – o leite materno doado voluntariamente à Santa Casa passa por vários processos até chegar aos recém- nascidos. As etapas vão desde a coleta, processamento, controle de qualidade e distribuição.
“A mãe recebe um kit com vidro para armazenamento, máscara, luva e saco plástico. Ela tem orientações de retirada do leite, boas práticas de manipulação e higiene”, lista Souza. Depois de retirar o leite humano de forma adequada e identificar a data e hora da ordenha, o vidro contendo o leite deve ser levado ao congelador, até a chegada dos Bombeiros da Vida – parceiros da Santa Casa desde 2002. Eles trabalham com a sensibilização das puérperas, cadastramento de doadoras e coleta domiciliar de leite doado.
Após a chegada do material humano à Santa Casa, os dados são repassados a uma planilha, que cataloga o dia do parto, da coleta, o volume e se a doação é da mãe que por algum motivo não pode dar a mama ao filho ou se o leite é proveniente de doação voluntária. A partir daí, inicia-se o controle de qualidade. “Fazemos o reenvase, que é transferir o leite para outro recipiente em uma temperatura de 40ºC. O leite também passa pelo teste de acidez, cujo volume máximo deve ser de 8 graus dormic”, explica a gerente do Banco de Leite. A avaliação é feita pra constatar se os nutrientes estão presentes na quantidade adequada, principalmente o cálcio e fósforo.
Em seguida, dá-se início a pasteurização do leite – o controle térmico para inativar os coliformes totais. “Constatamos a estabilidade clínica do alimento para saber se ele está próprio para consumo”, afirma Souza. “É feito o controle microbiológico, mergulhamos 4 ml de leite humano pasteurizado em 10 ml de caldo verde brilhante, meio propício para identificar o controle sanitário”, diz a gerente.
A presença de bolhas de ar no tubo vai identificar se o leite humano pode ou não ser dado aos bebês. “Se o meio estiver límpido, está próprio para o consumo”, aponta Souza. “Fazemos a seleção e classificação máxima do leite que dá entrada nas doações”, assegura.
Por dia, o bebê deve fazer pelo menos oito mamadas. “A quantidade de leite ingerido varia entre 2 ml a 100 ml por mamada, dependendo da fase da alimentação da criança”, ressalta Souza. Entre janeiro e dezembro do ano passado foram 2.177 internações de recém- nascidos na Santa Casa.
(Diário do Pará)
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