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Uma cidade que apaixona e inspira grandes amores

Em seus 397 anos, a Metrópole da Amazônia coleciona histórias de amor, como a da carioca Marlúcia Martins, 54 anos, que mora em Belém há 26. A bióloga conta que conheceu a cidade durante as viagens que realizava no período de sua graduação na universidade

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Em seus 397 anos, a Metrópole da Amazônia coleciona histórias de amor, como a da carioca Marlúcia Martins, 54 anos, que mora em Belém há 26. A bióloga conta que conheceu a cidade durante as viagens que realizava no período de sua graduação na universidade.

"Em uma dessas viagens, parei em Belem e fiquei. Sou apaixonada pela Amazônia e Belém é a porta de entrada. É uma cidade que cresceu, mas que continua bonita, preservando uma vasta cultura local", destaca.

Além disso, Marlúcia foi a responsável por mais um "adotado" da capital paraense. Em 1993, enquanto realizava uma exposição na Espanha, a pesquisadora conheceu o ítalo-espanhol Sandro Ruggeri - hoje com 51 anos - que deixou a Europa para vir morar em Belém e casar com Marlúcia.

"Lembro de uma carta que o Sandro me enviou em 1997, enquanto eu estava na Inglaterra estudando e ele estava sozinho em Belém. Ele escreveu dizendo que certa vez estava sozinho, na Praça da República, e se surpreendeu quando um desconhecido que estava no Bar do Parque o convidou para beber com ele. Essa receptividade do povo daqui é o que encanta nós dois. O tacacá na esquina, o jeito de tomar açaí, as pessoas. Tudo é rico", complementa.

Outro carioca que também decidiu fazer de Belém sua casa foi Bruno Alecrim, de 34 anos, designer gráfico que mora na capital paraense há cinco anos.

Ele conta que namorava uma paraense quando ainda morava no Rio de Janeiro e ela precisou voltar para Belém. Querendo continuar o relacionamento, conhecer a família da namorada e a Região Norte, Bruno fez as malas e veio até a cidade das mangueiras. E ficou.

"Tenho uma forte relação com o Rio de Janeiro, afinal minha família está lá, mas adoro Belém. Tenho minha casa aqui, e mesmo se deixar a cidade, vou continuar voltando sempre que puder", ressalta.

Dentre as coisas que mais encantaram o designer estão as tradições do povo belenense. "Há uma beleza rica na cidade, bem peculiar. E tem grandes tradições, como o Círio de Nazaré, uma das que mais me encantou. Todo o povo da cidade, do mais pobre ao mais abastado, todos se únem. Sinto que o mundo precisa dessa espiritualidade. Isso é muito rico. Isso e o açaí, claro", garante Bruno.

PRAÇA DA REPÚBLICA

O que era para ser apenas uma viagem de congresso se tornou uma história de amor. João Rodrigues Silva, de 52 anos, estudava o último ano de Odontologia na Universidade Federal de Fortaleza (Unifor), em 1978, quando se reuniu com uns colegas de faculdade para viajar a um congresso que aconteceria em Belém.

Naquela época, em sua estadia na cidade, João conheceu Maria Graça Silva, hoje com 49 anos. “Logo me encantei pela bela morena dos olhos castanhos. Conversamos, ficamos juntos e foi tudo muito bom. Mas logo eu tinha que ir embora”, conta João, que lembra ainda que, durante a estadia em Belém, o Ver-o-Peso e a Praça da República foram os cenários para os encontros românticos.

Ele teve de ir embora para Fortaleza, mas queria muito voltar. “Minha família não aprovava, mas eu estava certo que queria morar em Belém. Fiquei encantado pela cidade e por aquela mulher”, diz o cearense, que brinca afirmando não saber qual foi o motivo mais forte para a sua volta: a cidade ou a esposa, com quem teve dois filhos.

“Eu amo essa cidade. Amo o clima, a chuva da tarde. Amo as comidas e os pontos turísticos. Todas as vezes que passo no Ver-o-Peso ou na Praça da República, meu coração ainda bate forte”, concluiu João.

Segundo Maria Graça, o casal continua fazendo programações parecidas com as do tempo de namoro. “Mesmo depois de anos e anos de casados, ainda saímos para namorar. Agora tem uma diferença: nossos lugares favoritos são o Portal da Amazônia e a Estação das Docas”, afirma.

(Gustavo Dutra e Ana Paula Azevedo/DOL)

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