É com uma concentração de riquezas ainda assustadora, com mais da metade das moradias instaladas em áreas de ocupação irregular, com a maior parte da população alfabetizada e com um crescimento populacional cada vez mais acelerado que Belém chega aos 397 anos de idade. Registrada como a capital do Pará ainda em 12 de janeiro de 1616 e há poucos anos de completar quatro séculos de existência, Belém assiste soberana às consequências positivas e negativas de abrigar, atualmente, mais de 1,3 milhão de habitantes.
Traçado a partir dos dados do último Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010, o perfil que se observa, hoje, da conhecida cidade das mangueiras pode não ser muito positivo.
Maioria dentre a população da capital, as mulheres belenenses ainda são predominantes na classe de rendimento dos que ganham, no máximo, um salário mínimo, classe essa que representa mais de um terço (43,22%) da população total ocupada.
Com apenas 1,17% da população com dez anos ou mais de idade recebendo mais de 20 salários mínimos, Belém também acolhe um índice alarmante de concentração de riquezas.
LANTERNA
No que diz respeito às suas características urbanísticas, a cidade, antes comemorada pela beleza imponente de suas mangueiras centenárias, amarga a última colocação - dentre os municípios brasileiros com mais de um milhão de habitantes - em arborização, iluminação pública e pavimentação. Invertendo o ranking, é a campeã em quantidade de esgotos a céu aberto e lixo acumulado em logradouros, além de ser a responsável por abrigar mais da metade de seus domicílios (52,47%) em áreas de ocupação irregular, caracterizadas por carências de serviços públicos essenciais e ocupações desordenadas.
“Do ponto de vista das características urbanísticas, a situação do município não é muito positiva. São desafios que são colocados para a administração pública”, se rende aos números o chefe da Unidade Estadual do IBGE Pará, Rony Cordeiro. “Um dos principais desafios para a cidade está relacionado às características urbanísticas, onde é preciso investir em políticas públicas. Outras refletem, também, a posição do Brasil, como o rendimento ainda ser baixo, por exemplo”.
Passado o ‘susto’ causado pelos destaques mais preocupantes, a partir do perfil traçado pelos dados colhidos de informações de seus próprios moradores, a cidade apresentada as belenenses aos seus 397 anos também pode ser vista por um ângulo mais promissor. Com mais de 460 mil pessoas frequentando escolas ou creches, a maior parte da população belenense é alfabetizada.
“Apenas 3,32% da população não é alfabetizada. Se fizermos um comparativo com Manaus, que tem 3,78% de analfabetos, e com Fortaleza, que apresenta 6,63%, observamos que esse é um cenário positivo para a cidade. Ainda assim, grande parte dos não alfabetizados vem das parcelas de pessoas mais pobres e com menor poder aquisitivo”.
Outro aspecto considerado positivo, é o crescimento que a cidade vem apresentando ao longo dos anos. Com o registro de 1.280.614 habitantes em 2000, a projeção é de que a cidade já tenha alcançado os 1.410.430 habitantes em 2012.
“É uma cidade que vem crescendo, o que é um aspecto positivo, mas que precisa de atenção dos gestores para que acompanhem esse crescimento com a antecipação de políticas públicas”.
(Diário do Pará)
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