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Qual o futuro da Cidade das Mangueiras?

Com a melhor distribuição dos serviços básicos, o deslocamento por carro particular se restringe aos casos de extrema necessidade. Com calçadas padronizadas e conservadas por revestimentos de pedra ou cerâmica, a necessidade de subir a um dos ônibus artic

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Com a melhor distribuição dos serviços básicos, o deslocamento por carro particular se restringe aos casos de extrema necessidade. Com calçadas padronizadas e conservadas por revestimentos de pedra ou cerâmica, a necessidade de subir a um dos ônibus articulados que alimentam a linha principal que circula apenas pelos corredores principais, é cada vez menor. Com pontos de recolhimento de lixos instalados de forma distribuída por toda a cidade, a desobstrução de vias e passeios públicos deixa a caminhada ainda mais agradável.

Colocada em contraposição com a realidade que grita às ruas da capital paraense todos os dias, a gestão ordenada do espaço urbano do município que já acolhe mais de 1,3 milhão de habitantes e que chega ao 397º ano de vida é, com certeza, mais viável no plano das ideias. Arquiteto e doutor em planejamento urbano, o professor José Júlio Lima sabe que muitas seriam as mudanças necessárias para que Belém se aproximasse do dito ideal. Para ele, antes de qualquer projeção futurista, a mais elevada aspiração para Belém vai além de problemas apenas urbanísticos. “A situação mais ideal seria de uma cidade com menos segregação, com mais acesso aos serviços e menos desigual”.

Como forma de compensação para a gritante desigualdade que toma conta de Belém, hoje, o professor projeta, de forma aleatória, a cidade que ele mesmo esperaria ver. “Seria preciso melhorar o acesso ao transporte. Teríamos uma cidade mais compacta e com menos áreas de concentração de elites. Teríamos um sistema de transporte que pudesse ser mais coerente com esses grandes corredores de transporte como a [avenida] Almirante Barroso e a [avenida] Augusto Montenegro”.

De acordo com o especialista, quando se tenta projetar uma Belém que atenda melhor às necessidades da população, não se pode deixar de imaginar uma estrutura mais urbana e mais conectada do que a que se tem hoje. “No próprio transporte, teríamos que ter um modelo integrado com mais articulação entre os bairros, diminuindo a necessidade de uso de carros particulares”, afirma.
“Hoje, a cota de ônibus são decididas, praticamente, pelas empresas privadas. Em corredores como os da Augusto Montenegro e Almirante Barroso teríamos apenas a circulação de ônibus. Em uma gestão do futuro, a capacidade do setor privado seria para pensar em linhas reguladas, alimentadoras”.

BELÉM ARTICULADA

Focado na desconcentração pontuada desde a primeira concepção de uma Belém dos ‘sonhos’, o professor ainda atribui o conceito a aspectos que vão além da estrutura do trânsito. “O ideal seria uma Belém articulada, com uma base econômica mais sólida, com mais hospitais distribuídos por toda a cidade”, projeta. “Hoje, Belém é muito concentrada nos grandes corredores e deveria deixar de ser para que se atingisse essa cidade que traria melhor qualidade de vida e isso seria possível através de uma melhor distribuição dos serviços”.

Mesmo que o pensamento seja voltado para a cidade do futuro, esperada, mesmo que de foram utópica, por muitos dos que enfrentam os problemas cotidianos da cidade que se aproxima do quarto século de vida, José Júlio Lima não de desprende da realidade e aponta o que já deveria estar sendo feito para que tal objetivo estivesse mais próximo.

“Falta um desenho universal [das calçadas], com acesso para todos os grupos, com interligações entre as calçadas que deveriam ter um revestimento de pedra ou ladrilho para ter mais durabilidade no clima em que vivemos”, afirma.

(Diário do Pará)

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